Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens

2015-11-28

É cool ser de Direita

@crazygloria Portando um discurso desonesto, pautado na dicotomia jovem vs velho, Gloria Álvarez usa do deboche para vender como novo um discurso direitista que encantavam jovens nas décadas de 1930 e 1940.

Crazy Glorita associa todas as características de Esquerda Política a velhos caquéticos e as de Direita a ser cool. Para tanto, ela emula um discurso “centrista” que trata a inexperiência do jovem como virtude. Associado a essa inexperiência, é valorizado indiretamente o desconhecimento, que permite que o jovem se encante e compre como novo ideologias jurássicas.

Tudo isso, claro, evitando transparecer essa estratégia vil de desinformação.

Mas não é esse ponto que pretendo criticar… quero me ater a sua defesa do comportamento egoísta.

Começa dizendo que o egoísmo não é bom, nem ruim, tirando do interlocutor o direito de questionar o principal argumento implícito em todo restante do discurso: que egoísmo seria algo bom. Essa é uma retórica tremendamente desonesta.

Entendendo isso, ela usa duas falácias para defender a postura egoísta:
1A primeira é a da inversão de valores: “se tudo mundo aceita como verdade, deve estar errado”;
2A segunda é a falácia da natureza: “se é natural, é bom”.

Se o senso comum toma algo por certo, não significa que esteja certo… nem que esteja errado! É preciso sempre questionar, entender até onde algo é factível ou falso, mas questionar dá trabalho, raciocínios prontos são muito mais fáceis.

Aceitar não demanda esforço.

Quanto à falácia da natureza, a quem acha que tudo que é natural seja bom, sugiro uma terapia de coisas bem naturais, como cicuta, ou veneno de cobra.

Em resumo: é um discurso muito bem trabalhado, baseado na lógica rasa que consiste em substituir a verdade por aquilo que o interlocutor quer ouvir, no caso do jovem de qualquer geração, que a geração dele é superior às anteriores e que ele merece ser tratado pelo mundo como de alguma forma “melhor” que as demais pessoas.

[]’s

2015-08-18

Vergonha alheia

Heim? As manifestações do dia 16/8 me fazem sentir vergonha alheia.

Um bando de brancos racistas, machistas e homofóbicos destilando ódio, preconceito e violência, repetindo mecanicamente que se trata de uma manifestação pacífica e democrática, ao bom e velho estilo Goebbels, como se, ao repetir uma mentira, ela se tornasse verdade.

Aí alguém vem e diz:

— Como machistas? Havia mulheres na passeata!

Dondocas sustentadas pelo marido, naquela tradicional relação vertical onde o homem é o provedor rei do lar e a mulher sua serva, ali para cobrir suas necessidades; cujas mentes não foram exercitadas o suficiente para perceberem o absurdo da situação.

— Mas algumas dessas mulheres são empresárias.

Sim, que se satisfazem egoisticamente em ocupar um lugar masculino, discriminando outras mulheres e se vingando dos homens quando pode. Ainda assim machistas, misóginas.

— Mas e a mulher negra?

Qual? Uma daquelas raríssimas que aparecem como mucama da madame na manifestação? Aquela feliz em ocupar seu lugar na hierarquia da violência, e que desconta os maus tratos que recebe maltratando o nordestino, entre outros, aqueles abaixo dela nessa hieraquia perversa? Aquela que se sente amada por ser recebida no seio da família branca como serva?

Seja como for, qualquer um que você pegue daquela massa de ignorância é ou favorecido pelo status quo, ou se compraz na perversidade.

Pra todo escravo fujão, sempre há um capitão do mato.

[]’s Cacilhας, pli La Batalema ol ĉiam antaŭe

2015-06-26

Não vou calar!

2014-09-24

Jeitinho brasileiro

Brasil Jeitinho brasileiro é a capacidade inata dos povos colonizados (por isso “brasileiro” não é a palavra correta) de arrumar solução para todos os problemas com improvisação, flexibilidade, criatividade e intuição. Nasce naturalmente em culturas carentes, onde não há soluções prontas e a informalidade e a inventividade são essenciais à sobrevivência.

Já recebi diversos relatos de como pessoas de nações mais formais se surpreendem positivamente com nossa (latinos americanos) capacidade de resolver problemas com simplicidade e soluções criativas às quais eles jamais chegariam; problemas considerados insolúveis estagnando filas de trabalho que são resolvidos com ventilador, teflon, boa vontade… Cuspe, areia e fita adesiva.

Infelizmente boa parte da nação brasileira é formada de vira-latas. Para o vira-lata, tudo o que tem relação com Brasil, latino, America do Sul ou ainda apenas hemisfério sul é inferior, ruim, execrável. Então jeitinho “brasileiro” é automaticamente ruim.

Dentro desse escopo, o vira-lata confunde jeitinho com Lei de Gérson.

Lei de Gérson, que nada tem a ver com ser brasileiro, além do nome, é o comportamento daquela pessoa que espera levar vantagem em tudo, que não cede em nenhum mínimo ponto, quer ganhar em cada detalhe.

O “gérson” é aquele cara, brasileiro, estadunidense, africano, canadense, argentino, europeu…, que se acha “o malandro” (mesmo que nem conheça a expressão) e tenta tirar vantagem de tudo. Ele não admite ceder um pouco daqui pra poder ganhar algo melhor ali na frente, ele não admite perder.

É essa mentalidade de “gérson” que é chamada por muita gente de “jeitinho brasileiro”… ou melhor: é chamado de jeitinho brasileiro quando vem de um latino (de fora do círculo de amizades dele), porque quando vem do “primeiro mundo”, aí ele chama de “concorrência”, “competitividade”, “garra”.

Não importa a nacionalidade, a Lei de Gérson é danosa à sociedade, ao círculo de amizades e, a médio prazo, ao próprio “gérson”. Já o jeitinho brasileiro de verdade – improvisação, flexibilidade, criatividade, intuição – é uma das qualidade mais benéficas que um ser humano pode desenvolver. Ainda assim, como um martelo, pode ser usado como ferramenta construtiva ou para martelar o dedo.
[]’s

2014-01-15

O americano, a feiticeira e o prisma dourado do #mimimi

Heim?Uma amiga minha compartilhou um artigo interessantíssimo sobre as impressões de um estadunidense sobre algum lugar exótico e mágico que ele acha que é o Brasil.

São 20 impressões (a maioria errada ou distorcida) sobre São Paulo capital, que ele estende a todo o Brasil, como se o Brasil fosse apenas uma extensão de Sampa. A essas 20 impressões, outra(s) pessoa(s) acrescentou(aram) mais 20 impressões claramente com o único e exclusivo motivo de denegrir a imagem do país, mesmo que pra isso seja preciso mentir.

Na condição de brasileiro e conhecedor de algumas poucas cidades brasileiras, sinto-me na obrigação de escrever uma réplica trazendo uma visão mais sóbria e realista, como contraponto às críticas puramente destrutivas.

1 – Os brasileiros não têm consideração com as pessoas fora do seu círculo de amizades e muitas vezes são simplesmente rudes. Por exemplo, um vizinho que toca música alta durante toda a noite… E mesmo se você vá pedir-lhe educadamente para abaixar o volume, ele diz-lhe para você “ir se fud**”. E educação básica? Um simples “desculpe-me”, quando alguém esbarra com tudo em você na rua simplesmente não existe.
Os brasileiros aqui são na verdade algumas pessoas, nem mesmo a maioria. É conveniente julgar o todo pelos mais barulhentos.

Quanto ao esbarrão, imagine você na rua com milhares de outras pessoas apressadas, cada uma com sua razão, assim como você, ter de pedir desculpas a cada uma em que você esbarra (a palavra correta seria encosta). Isso é coisa de gente que se acha tão importante que não admite que essa plebe encoste.

2 – Os brasileiros são agressivos e oportunistas, e, geralmente, à custa de outras pessoas. É como um “instinto de sobrevivência” em alta velocidade, o tempo todo. O melhor exemplo é o transporte público. Se eles veem uma maneira de passar por você e furar a fila, eles o farão, mesmo que isso signifique quase matá-lo, e mesmo se eles não estiverem com pressa. Então, por que eles fazem isso? É só porque eles podem, porque eles veem a oportunidade, por que eles querem ganhar vantagem em tudo. Eles sentem que precisam sempre de tomar tudo o que podem, sempre que possível, independentemente de quem é prejudicado como resultado.
E o estadunidense é um amor de pessoa, né?

Isso é uma confusão da visão de mundo de um sujeito que, tão melhor que os outros, não admite ser tocado nem casualmente, com a necessidade de generalizar o brasileiro baseado em alguns mal educados.

Porém, de fato, infelizmente temos a cultura da Lei de Gérson, sutilmente reforçada dia a dia em todos os níveis da mídia e da educação, o que torna realmente muito comuns e ruins algumas situações que deveria ser apenas eventuais.

3 – Os brasileiros não têm respeito por seu ambiente. Eles despejam grandes cargas de lixo em qualquer lugar e em todos os lugares, e o lixo é inacreditável. As ruas são muito sujas. Os recursos naturais abundantes, como são, estão sendo desperdiçados em uma velocidade surpreendente, com pouco ou nenhum recurso.
E o meio ambiente norte-americano vai bem, né? Aliás, que meio ambiente?! Eles já destruíram quase tudo!

A reclamação dele aqui só vale pras cidades grandes, não para todo o Brasil – a menos que você considere todo o Brasil como sendo apenas São Paulo.

Acho que ele deve estar com medo que destruamos a nossa Amazônia antes que eles tomem posse e explorem os recursos à exaustão.

4 – Brasileiros toleram uma quantidade incrível de corrupção nos negócios e governo. Enquanto todos os governos têm funcionários corruptos, é mais comum e desenfreado no Brasil do que na maioria dos outros países, e ainda assim a população continua a reeleger as mesmas pessoas.
E os estadunidenses são um exemplo de honestidade, né?

A diferença entre aqui e lá é que aqui, quando pegamos um corrupto, nós movemos processo, dá CPI, um rolo. Às vezes acaba em pizza, às vezes o Genuíno vai preso.

Já lá nos EUA, quando eles encontram um caso de corrupção, eles criam uma lei legalizando-o. Assim é fácil, né? Não tem mais corrupção!

— Ah! Tem empresa fazendo lobby, pagando os legisladores para criar leis que as favoreçam em detrimento do povo, o que faremos?

— Simples: criemos leis que tornem legal que empresas e legisladores façam isso.

E problema resolvido! F*da-se o povo.

5 – As mulheres brasileiras são excessivamente obcecadas com seus corpos e são muito críticas (e competitivas com) as outras.
Acho que a palavra correta aqui não seria brasileiras, mas estadunidenses.

As brasileiras de alguns nichos sociais específicos imitam a cultura norte-americana.

6 – Os brasileiros, principalmente os homens, são altamente propensos a casos extraconjugais. A menos que o homem nunca saia de casa, as chances de que ele tenha uma amante são enormes.
Sim, porque uma parcela de vinte, vinte e poucos por cento define o comportamento de uma população inteira. Também porque só é caso extraconjugal quando há envolvimento emocional, né? Porque, quando é só sexo, como fazem os homens norte-americanos, aí foi só uma aventura.

Mas vamos olhar só o rabo do brasileiro, porque o rabo do ianque pode ficar estendido por todo o caminho, que ninguém pisa.
7 – Os brasileiros são muito expressivos de suas opiniões negativas a respeito de outras pessoas, com total desrespeito sobre a possibilidade de ferir os sentimentos de alguém.
Inverdade: o brasileiro é muito expressivo de qualquer opinião sobre qualquer assunto, porque o brasileiro é muito passional, conforme sua herança latina.

Mas o estadunidense, que não admite ser tocado esbarrado e acha que sexo sem envolvimento emocional não é caso extraconjugal, não vai entender isso nunca.

8 – Brasileiros, especialmente as pessoas que realizam serviços, são geralmente malandras, preguiçosas e quase sempre atrasadas.
Malandro é o safado do norte-americano que não faz o que precisa ser feito porque não é sua atribuição, ou o paulista que fica procurando festa porque acha que trabalha muito – o que é só achismo.

O nordestino é tão trabalhador e prestativo que é feito de burro de carga e o carioca é extremamente trabalhador, sem reclamar, porque sempre acha que está trabalhando pouco e por isso está no lucro.

9 – Os brasileiros têm um sistema de classes muito proeminente. Os ricos têm um senso de direito que está além do imaginável. Eles acham que as regras não se aplicam a eles, que eles estão acima do sistema, e são muito arrogantes e insensíveis, especialmente com o próximo.
Claro, no sistema norte-americano quando a regra se aplica ao rico, eles simplesmente criam um lei corrigindo isso.

Mas de fato, o sistema de classes brasileiro é ridículo. Andei reclamando disso: nosso sistema econômico é capitalista e nosso sistema sócio-político é democrático, mas na prática parece que é ao contrário.

10 – Brasileiros constantemente interrompem o outro para poder falar. Tentar ter uma conversa é como uma competição para ser ouvido, uma competição de gritos.
Típico de uma cultura latina. Se não gosta, volta pros EUA.

11 – A polícia brasileira é essencialmente inexistente quando se trata de fazer cumprir as leis para proteger a população, como fazer cumprir as leis de trânsito, encontrar e prender os ladrões, etc. Existem Leis, mas ninguém as aplica, o sistema judicial é uma piada e não há normalmente nenhum recurso para o cidadão que é roubado, enganado ou prejudicado. As pessoas vivem com medo e constroem muros em torno de suas casas ou pagam taxas elevadas para viver em comunidades fechadas.
FATO!

12 – Os brasileiros fazem tudo inconveniente e difícil. Nada é simplificado ou concebido com a conveniência do cliente em mente, e os brasileiros têm uma alta tolerância para níveis surpreendentes de burocracia desnecessária e redundante. Brasileiros pagam impostos altos e taxas de importação que fazem tudo, especialmente produtos para o lar, eletrônicos e carros, incrivelmente caros. E para os empresários, seguindo as regras e pagando todos os seus impostos faz com que seja quase impossível de ser rentável. Como resultado, a corrupção e subornos em empresas e governo são comuns.
Também verdade, o que é característica não do Brasil, mas de qualquer ex-colônia. Não se pode culpar o brasileiro por esse comportamento – mas se pode tentar corrigi-lo.

14 – Está quente como o inferno durante nove meses do ano, e ar condicionado nas casas não existe aqui, porque as casas não são construídas para ser hermeticamente isoladas ou incluir dutos de ar.
Vamos separar em duas partes:

1 – Não é quente como o inferno durante nove meses do ano, isso é mentira. Em muitas partes do país é quente durante muito tempo, não tanto tempo, não como o inferno (só de vez em quando) e não mesmo no país inteiro. Mais uma vez ele toma São Paulo como referência para o país todo.

2 – A arquitetura brasileira é submissa à europeia: engenheiros e arquitetos simplesmente não pensam, só repetem o que aprenderam, que é cultura trazida de um continente muito mais frio. Resultado: residências e escritório infernalmente quentes e mal arejadas. Ou seja: fato.

15 – A comida pode ser mais fresca, menos processada e, geralmente, mais saudável do que o alimento americano ou europeu, mas é sem graça, repetitivo e muito inconveniente. Alimentos processados, congelados ou prontos no supermercado são poucos, caros e geralmente terríveis.
Recuso-me a aceitar que isso seja opinião, isso é imbecilidade pura.

Brasileiro gosta de comer arroz com feijão todo dia sim, mas vou a restaurante nordestino comer acarajé e baião de dois, como comida baiana, churrasco gaúcho, um explosão de diversidade de sabores que o sujeito precisa ser muito mentiroso pra negar, sem falar nas comidas importadas, que são amplamente acessíveis: hambúrgueres americanos, comida japonesa, árabe, pizza italiana, café…

Esse mané (porque não há outra descrição) deve ter passado toda a temporada dele aqui enfurnado nos mesmos lugarezinhos que sua zona de conforto permitia.

16 – Os brasileiros são super sociais e raramente passam algum tempo sozinho, especialmente nas refeições e fins de semana. Isso não é necessariamente uma má qualidade, mas, pessoalmente, eu odeio isso porque eu gosto do meu espaço e privacidade, mas a expectativa cultural é que você vai assistir (ou pior, convidar amigos e família) para cada refeição e você é criticado por não se comportar “normalmente” se você optar por ficar sozinho.
Questão de gosto: você odeia? Vá embora e não volte mais.

17 – Brasileiros ficam muito perto, emocionalmente e geograficamente, de suas famílias de origem durante toda a vida. Como no #16, isso não é necessariamente uma má qualidade, mas pessoalmente eu odeio porque me deixa desconfortável e afeta meu casamento. Adultos brasileiros nunca “cortam o cordão” emocional e sua família de origem (especialmente as mães) continuam a se envolvido em suas vidas diariamente, nos problemas, decisões, atividades, etc. Como você pode imaginar, este é um item difícil para o cônjuge de outra cultura onde geralmente vivemos em famílias nucleares e temos uma dinâmica diferente com as nossas famílias de origem.
Típica reclamação contra a sogra. Não gostou? Vá embora!

18 – Eletricidade e serviços de internet são absurdamente caros e ruins.
Concordo em gênero, número e grau.

19 – A qualidade da água é questionável. Os brasileiros bebem, mas não morrem, com certeza, mas com base na total falta de aplicação de leis e a abundância de corrupção, eu não confio no governo que diz que é totalmente seguro e não vai te fazer mal a longo prazo.
Nossa Mãe de Deus… de onde ele tirou essa imbecilidade? O cara sabe que se lá nos EUA ele beber água de onde ele não conhece, ele vai adoecer, mas acha que aqui nós brasileiros devemos ter algum tipo de imunidade mágica.

Um aviso: eu bebo água com cloro filtrada sim e me faz menos mal do que vinagre, mas se eu beber água tratada de alguns lugares dos EUA também morro – assim como pode acontecer se eu beber água de qualquer fonte que eu não conheça. Vale para qualquer um em qualquer lugar do mundo.

20 – E, finalmente, os brasileiros só tem um tipo de cerveja (aguada) e realmente é uma porcaria, e claro, cervejas importadas são extremamente caras.
Quer dizer: ele reclama que aqui é muito quente e não aceita que a bebida seja adequada ao ambiente. Incoerente.

Complementos

O texto original termina aqui, mas foi complementado. A maioria dos complementos nem merece comentário, de tão pontuais, locais, subjetivos ou até mesmo mentirosos, então vou tentar grifar apenas alguns.

21 – A maioria dos motoristas de ônibus dirigem como se eles estivessem tentando quebrar o ônibus e todos dentro dele.
Não conheço o suficiente do Brasil pra dizer que seja sempre assim, mas dos lugares que eu conheço, isso é verdade.

25 – Qualidade do ar muito ruim. O ar muitas vezes cheira a plástico queimado.
Ok… isso é São Paulo. Na maioria dos casos é uma grande mentira.

28- Árvores, postes, telefones, plantas e caixas de lixo são colocados no centro das calçadas, tornando-as intransitáveis.
Tire as árvores então! Pra que árvores?

Há casos assim, mas são pontuais, não são regra.

29 – Você paga o triplo para os produtos que vão quebrar dentro de 1-2 anos, talvez.
Fato. Isso acontece porque o brasileiro aceita pagar.

Por isso – e não pelos impostos – empresas como Sony e Apple praticam preços com margens de lucro absurdamente altas em relação aos mesmos produtos em outros países, assim como montadoras de automóveis.

Precisamos parar de aceitar isso.

38 – A menos que você goste muito de futebol ou reality shows (ou seja, do Big Brother), não há nada muito o que conversar com os brasileiros em geral. Você pode aprender fluentemente Português, mas no final, a conversa fica muito limitada, muito rapidamente.
Quem escreveu isso certamente tem um círculo de amizades incomumente reduzido.

40- Todas as cidades brasileiras (com exceção talvez do Rio e o antigo bairro do Pelourinho em Salvador), são feias, cheias de concreto, hiper-modernas e desprovidas de arquitetura, árvores ou charme. A maioria é monótona e completamente idênticas na aparência. Qualquer história colonial ou bela mansão antiga é rapidamente demolida para dar lugar a um estacionamento ou um shopping center.
Caramba! Fiquei assustado: quem escreveu isso conhece TODAS as cidades brasileiras, exceto as que eu conheço. Cara, isso não é só questão de opinião, não… é ignorância mesmo.

Agora que você teve paciência de ler até aqui, um texto mais sério e sensato sobre este assunto, mesmo que eu não concorde 100%, é Curiosidades Brasileiras. Recomendo.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2013-10-20

Coerência é para os fracos

Baal Façamos um exercício de lógica:

Desejar a morto de alguém é apologia ao assassinato.

Assassinato é crime e a apologia ao crime também é considerada crime.

Portanto, ao dizer “bandido bom é bandido morto”, a pessoa comete o crime de apologia ao assassinato, portanto, é também uma criminosa, por definição.

Assim, segundo meu jeito de encarar a questão, vocês que dizem “bandido bom é bandido morto” deveriam ser julgados perante a lei. Segundo o jeito de vocês mesmos de encarar a questão, vocês deveriam ser sumariamente assassinados, pois, como vocês dizem, bandido bom é bandido morto.

Pensem nisso com carinho.

[]’s
Cacilhας, La Batalema


Facebook

2013-07-05

Plebiscito

Baal

Lembram daquele ditado do comercial sobre o brasileiro não desistir nunca? Pois é, para uma melhor verossimilhança, precisamos alterá-la um pouco:


Sou brasileiro e não aprendo nunca.


Eu, o brasileiro que não aprende nunca, lutei para melhorar o cenário sócio-político de meu país e o governo propôs mudanças.

Mas essas mudanças são apenas um primeiro passo em direção ao que buscamos, não um salto quântico que nos leva magicamente ao destino final.

Então, eu, o brasileiro que não aprende nunca, me revolto contra as mudanças e faço de tudo para darmos um passo atrás! Afinal de contas, pra mim, o brasileiro que não aprende nunca, ter do que reclamar é muito mais importante do que progredir gradualmente.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-11-22

Centroesquerdismo e a falácia etimológica

Heim?

Alguns amigos meus inteligentes (sem ironia) têm caído na falácia etimológica, recurso de desinformação extremamente tentador, muito utilizado por direitistas de mau caráter.

O princípio da falácia etimológica é dizer que a construção morfológica da palavra define o conceito representado pela mesma.

Esse conceito já se mostra falho logo de cara, quando encaramos algumas palavras interessantes, como Cálculo: se a morfologia definisse o conceito, Cálculo seria estudado em Geologia, não em Matemática, como bem lembrado pelo blog Bule Voador.

Deixando isso de lado, ataquemos diretamente a distorção de conceito que pretendo: Direita versus Esquerda políticas.

Amigos meus têm se tido muito equilibrados, nem direita, nem esquerda, mas centro. É o mesmo que dizer que uma variável bool contém o valor ½.
Fulano está vivo ou morto?
— Mais ou menos, ele está num equilíbrio entre os dois estados.
#WTF
Ou:
Há uma estrada, não há nada por perto, você em que direção seguir ou morre de fome. Em qual direção você segue? Direita ou esquerda?
— Nas duas.

Para entender por que é impossível, precisamos entender o significado de Direita e Esquerda.

Quando a França declarou bancarrota no reinado de Luís XVI, instaurou-se um parlamento medieval para gestão do estado. Os parlamentares se posicionavam à direita ou à esquerda do trono nas votações, de acordo com sua decisão.

À direita do trono posicionavam-se os parlamentares a favor da autoridade real e dos privilégios da corte, que acreditavam que a sociedade só poderia se manter através dos abismos de classe: para eles a riqueza de um país se define pela esmagadora riqueza das elites em oposição à pobreza extrema do proletariado.

À esquerda do trono posicionavam-se os parlamentares a favor da supremacia do parlamento e da igualdade social, acreditavam que um país só pode ser rico pela segurança econômica dos mais pobres.

Com a revolução e o começo da república, o conceito de Direita Política foi adaptado (sem prejuízo do significado original) para os políticos a favor das elites, da burguesia e da manutenção dos abismos sociais como garantia de saúde do estado. O conceito de Esquerda Política se tornou a proteção das classes menos favorecidas, a busca pela mitigação das diferenças sócio-econômicas e defesa dos conceitos republicanos de democracia e igualdade.

Percebam que são princípios essencialmente dicotômicos e conflitantes:
  • Manutenção dos abismos sociais vs. mitigação das diferenças
  • Classes sociais distintas (vitalícias e hereditárias) vs. igualdade social
  • Defesa dos privilégios das elites vs. democracia e direitos iguais

São conceitos inter-excludentes, meio termo não é viável.

Porém, seria muito feio um político assumir clara e explicitamente que ele deseja de fato pisar no povo que o elege e favorecer sua própria classe social – ou a que ele pretende ingressar –, prejudicando ainda mais os desfavorecidos em benefício próprio.

Daí, esses mesmos políticos e sociólogos sem ética usaram a falácia etimológica, ignorando o background histórico, e inventaram essa besteira de equilíbrio político.

Desse falso equilíbrio nasceu a mácara – pois o conceito não é novo – chamada Centroesquerdismo, que nada mais é que a Direita Política com um nome eufêmico.

Com um nome bonitinho, os direitistas centroesquerdistas cativam esquerdistas desatentos, que vão aos pouquinhos acreditando na mentira do equilíbrio inexistente e nas inverdades que mascaram o elistismo pró-burguês. Pouco a pouco vão migrando suas ideias e acabam por defender conceitos elitistas falsamente equilibrados.

Então, pensem muito ao usar jogos de Atari e analogias de equilíbrio, porque as falácias sempre fazem sentido no primeiro momento e parecem argumentos muito inteligentes, mas não sobrevivem a uma análise mais profundo – caso se queira mesmo analisar em vez de procurar por soluções confortáveis.

A se pensar:
  • Machismo é sim um mal; Feminismo não é o oposto de Machismo, é a luta por direitos iguais.
  • Esquerda Política não é Comunismo; Direita Política não é um contraponto de equilíbrio, é defesa das desigualdades e dos grupos dominantes.
  • Direitos de homossexuais e bissexuais não interferem nem agridem os direitos dos heterossexuais.
  • Ateísmo não é perseguição contra a religião; laicidade não é o fim da religião, mas também não dá o direito de ninguém impor sua religião sobre os outros – pelo contrário.
  • Parem pelamordedeus com esse mimimi patriarcal de grande macho branco heterossexual de classe média!
reverse racism

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-09-04

Contra censura a blogs

2012-06-01

Para a saúde de quem?

Baal

A última coisa importante que meu rouxinol me disse antes de deixar a crisálida e voar para longe deste mundo foi: eu já sinto muito orgulho de você.

Porém não me sinto merecedor desse orgulho. Sei que cuidei dela de uma forma que pouquíssimas pessoas fariam, enfrentei médicos e minha própria família para que ela tivesse a existência mais normal possível em seus últimos dias, mas sinto a necessidade de fazer mais.

A Lu foi um tipo de Maid Marian moderna, enfrentava as autoridades e o status quo para ajudar os menos favorecidos e eu não fiz metade do que ela fez, por isso ainda não mereço seu orgulho.

Mas quando for minha vez de ir e ela vier me buscar, eu quero merecer seu orgulho. Para isso, quero dar alguma finalidade prática ao conhecimento que acumulei nesse calvário, primeiro divulgando.

A principal coisa que aprendi foi:
Não importa se sofrerão e terão a vida abreviada pela doença, doentes crônicos rendem mais lucros para a indústria farmacológica do que um paciente curado.

Qualquer tratamento barato que levasse à cura de doenças crônicas sempre foi perseguido e destruído pelos governos e organizações de saúde, para o bem do mercado.

Vamos falar disso…

Máquina de co-ressonância de Rife

Na década de 1920, o Dr. Rife fazia pesquisas com a ressonância coordenada ou co-ressonância para o tratamento de viroses e tumores. Em 1934, em uma pesquisa com dezesseis pacientes terminais de câncer, a co-ressonância foi capaz de curar todos os pacientes em três meses de tratamento.

As consequências? Seu laboratório foi incendiado, a pesquisa destruída e o próprio Dr. Rife sofreu sistemática e metódica perseguição e difamação pelo editor chefe do Journal of the American Medical Association, Morris Fishbein, para desacreditar totalmente sua pesquisa e assim proteger o mercado que explora os doentes terminais.

— Mas por que eles fariam isso? Como a indústria se beneficiaria da destruição de uma tecnologia capaz de ajudar tantas pessoas?

Vou responder esta pergunta com um exemplo.

Quando minha esposa estava se tratando (se é que dá pra usar esta palavra) no HFCF, conhecemos uma senhora que sofria do mesmo tipo de carcinoma que minha esposa há vinte anos.

É… essa doença age diferente com pessoas diferentes. Matou minha esposa em menos de um ano e tem torturado essa senhora há vinte.

O tratamento tradicional só dessa senhora rende à indústria farmacológica US$80 mil ao ano.

Tudo para mantê-la doente, sofrendo dos efeitos colaterais tanto da doença quanto do tratamento, piorando a cada ano e fatalmente morrerá inválida na cama de um hospital.

Agora imagina se essa senhora tivesse sido curada com uma terapia simples e barata no primeiro ano… multiplique os US$80 mil pelos anos de tratamento poupados para ver o quanto a indústria teria deixado de lucrar, isso para apenas um paciente!

Avelós

O Hospital Israelita Albert Einstein em SP pesquisou o tratamento do câncer com DM-10, medicamento extraído da avelós.

Quando pacientes terminais e crônicos começaram a ser curados, a Anvisa mandou suspender as pesquisas e proibiu o uso terapêutico da avelós. A justificativa foi que a overdose pode ser tóxica.

Primeiro, de qual substância a overdose não é tóxica?

Segundo, fiquei sabendo de uma garota que bebeu uma garrafa de preparado de avelós inteira por engano – por definição uma overdose – e a consequência foi uma azia.

Alguns médicos negam a eficiência da avelós, mas não conseguem explicar os casos de cura. Simplesmente o ignoram, pois foram adestrados a negar tudo o que coloque em cheque suas verdades.

Eu pude presenciar pessoalmente os efeitos da avelós e conheci doentes terminais curados pela avelós. A avelós tem efeito analgésico, cicatrizante e antitumoral.

THC

Um dos principais motivos da proibição da maconha não tem a ver com as consequências sociais, mas com as consequências mercadológicas.

O THC, princípio ativo da canábis, substitui pelo menos quatro medicamentos usados para aliviar os efeitos do câncer, com mais eficiência pelo menos do que três deles.

Mas o uso terapêutico do THC é proibido, pois seus efeitos colaterais – lentidão de raciocínio temporária e aumento do apetite – são considerados inaceitáveis.

As quatro substâncias substituíveis pelo THC tem os seguintes efeitos colaterais aceitáveis:

  1. Metoclopramida: é hemorrágica e causa comprometimento e perda gradativos do controle motor;
  2. Bromoprida: inibe a absorção de nutrientes pelo intestino;
  3. Tramadol: causa distúrbios psicóticos;
  4. Morfina: mata.

Basta pesar o que é mais inaceitável.

Outra desculpa comumente usada é que o THC causa câncer ao tentar combatê-lo. Não é o que as pesquisas dizem.

**

Ainda vou falar muito, mas muito mesmo sobre este assunto.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-03-11

O correto nem sempre é o legal

lâmpada Se proteger a vida for contra a lei, sou um criminoso com muito orgulho.

Não estou fazendo apologia do crime, mas quando as leis não são questionadas, elas defendem os interesses daqueles que as fizeram – políticos ou empresas que os bancam –, não do povo que lhes sofre as consequências.

Talvez eu me explique melhor daqui a alguns meses, por ora deixarei no ar.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-02-12

Mentalidade curta do europeu

O Sergio Venuto divulgou no Facebook o seguinte vídeo sobre o ACTA:



No entanto o mais importante foi a resposta dada por João Carlon.

Vejo toda essa gente com complexo de vira-lata falando mal do Brasil e de nosso povo – não tem desastres naturais, mas olha só o povinho. Eles precisam de um choque de realidade.

A resposta do João elucida bastante os motivos da Europa estar passando por uma crise sócio-económica tão séria:
Como disse a você (Sergio), as pessoas aqui na Itália (não vou falar de toda a Europa porque não tive a experiência de morar) são extremamente acomodadas. Se você questionar algo, a pessoa concorda que esta errado, mas aí ela fala: «Mas fazer o quê? Não tem o que fazer». Então teoricamente elas vão aceitando cada coisa que é imposta, fora que elas têm uma capacidade de reflexão fora da caixa-teoria muito baixa, não por falta de capacidade, mas porque elas tem medo de pensar assim. Entende?

O que é ensinado para eles (as pessoas) na faculdade ou escola, ou em cursos, amarra muito a mentalidade deles e infelizmente os que têm capacidade de reflexão acabam como no primeiro caso (com os questionamentos).

Não encontrei um italiano que fizesse algo para a sociedade por querer ver aquilo melhor, normalmente sempre vem a pergunta, «quanto paga?» ou «o que eu vou ganhar?», aqui no norte, volto a enfatizar isso. E isso eu posso afirmar porque eu tentei para caramba criar e reunir pessoas depois de longas conversas com o Sergio Venuto para termos iniciativas ou de produzir conhecimento ou de tentar fazer algo no sentido de um Moleque de Idéias, ou algum grupo para mudar alguma coisa que pudesse gerar um bem estar melhor a um menor ônus – e aí não falo só ônus na parte financeira, mas de uma forma geral – e as respostas sempre foram pautadas em um individualismo que limita o campo de visão e consequentemente de enxergar benefícios de estar interagindo com pessoas e criando isso.

Se você imaginar que o fato de termos provas foi uma bela oportunidade para fazer algumas pessoas perceberem que estudar juntos é positivo, você vai poder ter uma noção do quanto a nossa mentalidade é diferente, para não dizer distante do que eles pensam aqui.

Porém é isso aí, infelzmente a galera aqui canetou o acordo e vão se aprisionar mais.

Grande Abraço a todos e foi mal pela longa resposta.
(João Carlon)


Pensem com muito cuidado…

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-01-30

Declaração de Dublin sobre o Secularismo e o lugar da religião na vida pública

Todos sabem que eu não sou ateu, mas sou a favor do estado laico, e esta é a declaração mais perfeita que já vi:

Em cinco de junho de 2011, a Convenção Mundial de Ateus em Dublin* discutiu e adotou a seguinte:

Declaração sobre o Secularismo e o Lugar da Religião na Vida Pública.




1. Liberdades Individuais

• (a) Liberdades de consciência, de religião e de crença são privadas e ilimitadas. A liberdade de praticar a religião deve ser limitada apenas pela necessidade de respeitar os direitos e liberdades de outros.

• (b) Todas as pessoas devem ser livres para participar igualmente do processo democrático.

• (c) A liberdade de expressão deve ser limitada apenas pela necessidade de respeitar os direitos e liberdades de outros. Não deve haver o ‘direito a não ser ofendido’ na lei. Todas as leis de blasfêmia, implícita ou explícita, devem ser rejeitadas e não promulgadas.


2. Democracia Secular

• (a) A soberania do Estado é derivada do povo e não de algum deus ou deuses.

• (b) A única referência à religião na Constituição deve ser a asserção de que o Estado é secular.

• (c) O Estado deve ser baseado na democracia, nos direitos humanos e na regulamentação legal. Políticas públicas devem ser formadas pela aplicação da razão, e não da fé religiosa, direcionada pela evidência.

• (d) O governo deve ser secular. O Estado deve ser estritamente neutro em questões de religião ou ausência dela, não favorecendo nem discriminando uma ou mais de suas formas.

• (e) As religiões não devem ter privilégios financeiros na vida pública, tais como o status livre de impostos para atividades religiosas, ou verbas públicas para promover a religião ou as escolas confessionais.

• (f) A afiliação a uma religião não deve ser critério para nomeação de alguém para qualquer emprego no funcionalismo público.
(g) A lei não deve incentivar nem prejudicar qualquer direito, privilégio, poder ou imunidade com base em fé ou religião ou a ausência de ambas.


3. Educação Secular

• (a) O ensino público deve ser secular. A educação religiosa, se for oferecida pelo Estado, deve estar limitada à educação sobre a religião e sua ausência.

• (b) As crianças devem ser ensinadas sobre a diversidade de crenças filosóficas religiosas e não-religiosas de uma maneira objetiva, sem formação de fé nos períodos escolares.

• (c) As crianças devem ser educadas no pensamento crítico e na distinção sobre fé e razão como guias para o conhecimento. A ciência deve ser ensinada livre de interferência religiosa.


4. Uma Lei para Todos**

• (a) Deve haver uma lei secular para todos, democraticamente decidida e mesmo duramente aplicada, sem jurisdição para tribunais religiosos decidirem questões civis ou disputas familiares.

• (b) A lei não deve criminalizar qualquer conduta privada pela razão de alguma doutrina de qualquer religião julgar tal conduta imoral, se essa conduta privada respeitar os direitos e liberdades de outros.

• (c) Empregadores inclusive na área de serviço social com crenças religiosas não devem ter permissão para discriminar sobre qualquer base não essencial ao emprego em questão.


* Esta declaração foi aprovada pela Atheist Alliance International, da qual a Liga Humanista Secular do Brasil (LiHS) é um membro. O texto foi votado e aprovado em assembleia geral pelos membros da LiHS em 31/07/2011, e portanto pode ser considerado representativo da visão da associação. Todas as posições oficiais da LiHS são votadas em assembleia geral e publicadas em ata.

** A convenção contou com a presença da sócia emérita da LiHS, a iraniana Maryam Namazie, que luta pelo fim da influência da lei islâmica da Sharia no Reino Unido encabeçando a organização One Law For All. Um trecho da fala de Namazie pode ser conferido aqui: http://bule.atheis.me/post/6295456836

Link curto para esta declaração em PDF: atheis.me/dublin2011


[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-10-22

Críticas ao Esperanto

Hoje eu li na Wikipédia o artigo Criticism of Esperanto. É o perfeito exemplo de como leigos podem escrever besteira quando acham que entendem de algo.

Eu tenho diversas críticas contra o Esperanto: alfabeto contendo diacríticos; carência de uma série de correlativos, como aliu, alio, alia, alies, aliel, alie, aliam, aliom e alial; o plural de algumas palavras torna a pronúncia complicada; etc.

No entanto, todas as formas de corrigir o Esperanto geraram recursos de qualidade inferior, como Ido e Facile.

No entanto, lendo o artigo na Wikipédia, fica óbvio que as objeções comuns levantadas pelo autor foram feitas por alguém (ou alguéns) que não sabe esperanto e nem ao menos possui conhecimentos de linguística, dado grau de besteiras ditas.

Comentarei alguns tópicos…

Carência de neutralidade


De fato o vocabulário é predominantemente germânico-latino e a fonética é eslava. No entanto a gramática foi fortemente inspirada em algumas construções das línguas sínicas, não europeias.

Há ainda muitos radicais de origem no árabe, no hebráico e nas línguas mesoasiáticas.

Algo mais neutro do que Esperanto é o Volapük, que é tão neutro que se mostra alienígena, contra-intuitivo e extremamente difícil – o que foge ao foco da ferramenta.

Artificialidade


No tópico anterior o autor se queixou do excesso de eurocentrismo, já nesse ele critica a falta de eurocentrismo.

Concisão vai bem, obrigado!

O autor dessa crítica deve ser algum defensor fanático e irracional de Interlíngua, aliás outra língua artificial que respeito e pela qual sou apaixonado.

Esperanto não tem cultura


Esse sujeito realmente entendeu o objetivo do Esperanto?!

A língua esperanto nasceu para ser uma ferramenta de comunicação internacional, se a pessoa reclama que uma panela de feijão não faz torradas é porque realmente não sabe sobre o que está falando.

O cara não sabe sobre o que está falando duas vezes, porque o Esperanto é uma panela que faz torradas!

A cultura esperantista tem crescido enormente no último século e meio. Você pode ter uma leve ideia em Esperanto.Org, La Verda Krokodilo e Esperanto.com.

Dificuldade em tornar-se fluente


Você consegue falar em duzentas horas de prática. Com um ano de conversação você está fluente.

Quanto tempo você se torna fluente em inglês mesmo? Heim? Heim? Heim?

Mas devo admitir que o fanatismo e otimismo excessivo dos esperantistas acaba levando os iniciantes a criarem falsas expectativas.

O Esperanto pode sobrepujar outras línguas


Acho que o retardado que disse isso não percebe que são a língua inglesa e sua cultura que têm destruído inúmeras outras culturas.

O Esperanto é a vacina contra a globalização unilateral, pois é uma ferramenta, não uma manifestação nacional completa capaz de sobrepujar culturas alheias. Foi criado para isso e com esse fim em mente.

Diacríticos


Aqui eu concordo em gênero, número e grau.

Não gosto das letras chapelas – ĉapelaj leteroj. Para lápis, caneta e papel, não oferecem a menor dificuldade, mas ao lidar com um teclado, real ou virtual, as coisas se complicam.

Os dígrafos com H sugeridos pelo Zamenhof causam confusão, então os dígrafos com X são melhores, mesmo assim são muito pouco intuitivos.

Sexismo


A pretensa acusação de sexismo ao Esperanto é claramente uma demonstração de desconhecimento da língua.

É baseada em algumas palavras essencialmente masculinas, como viro, sinjoro e patro por exemplo, que de fato possuem gênero.

Mas por padrão as palavras em esperanto são livres de gênero, são neutras.

Assim, leono é leão no sentido geral, espécie: leão, leoa, filho, adulto, etc. Para falar-se especificamente em leoa diz-se leonino e para falar especificamente em leão (macho) diz-se virleono.

Então, qualquer sexismo que seja eventualmente identificado é resultado de momentos históricos, e menor do que o encontrado em outras alternativas.

Casos desnecessários


Aqui há uma demonstração de ignorância total sobre linguística.

O fato das línguas terem casos irregulares não indica que os casos não existam.

Por exemplo, pense na relação entre use, useful e usefully.

Na verdade o que você vê aqui são o caso nominativo/acusativo, adjetivo e adverbial.

O mesmo ocorre em português.

O que a língua esperanto tem a mais é a separação entre nominativo e acusativo, o que traz muito mais recursos poéticos e diminui a possibilidade de ambiguidade.

Concordância de número


No mesmo tópico, é feita a reclamação da concordância entre adjetivo e nome.

É uma reclamação típica dos anglófonos, sabidamente incompetentes no entendimento de línguas estrangeiras.

A concordância aqui também diminui a ambiguidade.

O Esperanto falhou


É fato: o Esperanto realmente falhou, mas não pelos motivos apresentados.

O Esperanto falhou porque as pessoas no poder – no mundo todo – se beneficiam da hieraquia criada entre as línguas naturais, onde você é considerado uma pessoa superior se souber inglês, e ainda mais respeitável se falar fluentemente. Se for um anglófono nativo, você é melhor do que os outros.

Numa posição hierárquica um pouco inferior – mas ainda superior ao português – estão o espanhol e o francês.

Essa diferença de classes em função da língua falada gera todo um mercado de destruição cultural que beneficia pessoas poderosas e os linguisticamente incompetenes, como a maioria dos anglófonos.

E argumentação de que aprender inglês seria um tempo melhor gasto é mais uma desinformação consciente e calculada para que as pessoas não se interessem pelo Esperanto, já o tempo para seu aprendizado é curto, não prejudicando o aprendizado do inglês – aliás facilita, pois acrescenta outras perspectivas que excercitam os mecanismos sinápticos necessários ao aprendizado do inglês ou qualquer outra língua.

Então você ouve pessoas dizendo «I needjy too go too the bafroom» e achando que estão arrasando… :-P

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-09-07

A ética da mídia tradicional

Baal Hoje passei o dia no HMLJ, porque minha esposa passou mal.

Não ficamos esperando ser atendidos… fomos rapidamente atendidos e minha esposa passou por uma bateria de exames para tentar identificar a causa das dores. Fomos muito bem atendidos e minha esposa teve toda atenção que precisou.

Porém…

Enquando eu esperava por minha esposa, apareceu uma equipe de reporcagem reportagem da Band.

O repórter perguntou a cada pessoa que pôde se ela estava sendo negligenciada e a resposta era quase unanimente que a pessoa tinha sido atendida sem muita espera e estava sendo dispensada a atenção médica necessária.

Dada a resposta em favor do corpo de médicos, o repórter automaticamente se desinteressava daquela pessoa, indo para a próxima, até encontrar uma mulher muito zangada com o atendimento supostamente ruim – Onde? – que falou muito mal do hospital. A essa sim o repórter deu atenção.

Depois foi chatear o pessoal da fila de visitantes, sem ver que o paciente acompanhado pela tal mulher zangada, supostamente precisando de internação, saiu andando e vendendo saúde – só queria atenção mesmo.

Essa é a ética da mídia tradicional: não há investigação de fatos, a reportagem é pré-concebida na redação e o repórter pseudo-investigativo ignora todas as evidências contra a hipótese que se deseja provar.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-09-06

Einstein e a ética da revista Time

O que Eistein realmente disse:

Eu espero que condições saudáveis logo se imponham na Alemanha, e no futuro grandes homens como Kant e Goethe não sejam simplesmente festejados de tempos em tempos, mas que os princípios que eles ensinaram prevaleçam na vida pública e na consciência geral.


O que a revista Time publicou:
Sendo um amante da liberdade, quando a revolução chegou à Alemanha eu esperei que as universidades a defendessem, sabendo que elas sempre tinham alardeado sua devoção à causa da verdade; mas não, as universidades foram imediatamente silenciadas. Então eu esperei pelos grandes editores dos jornais cujos editoriais inflamados nos dias passados tinham proclamado seu amor à liberdade; mas eles, como as universidades, foram silenciados em algumas semanas. (…) Apenas a Igreja permaneceu firmemente no caminho da campanha de Hitler para eliminar a verdade. Eu nunca antes tinha tido qualquer interesse especial pela Igreja, mas hoje sinto um grande afeto e admiração, porque apenas a Igreja teve a coragem e a persistência de defender a verdade intelectual e a liberdade moral. Assim, sou obrigado a confessar que o que eu antes desprezei hoje louvo sem reservas.


Acho que a revista Time é que tinha probleminhas em publicar a verdade…

[]’s
Cacilhας, La Batalema


PS: Fonte: «Deus não é grande», de Christopher Hitchens

2011-07-04

Privilégios sociais

Baal Tenho visto muitas manifestações em defesa do orgulho hétero (ou hetero, sem acento, em referência à palavra de origem «heterossexual»), de gente 100% branca e dos direitos de homem (em oposição a mulher).

As alegações são de que estaria havendo uma inversão de valores e que a tradição estaria sendo destruída.

Pois bem, em certo ponto é verdade, mas de um jeito positivo.

Os antigos valores de direito nato e segregação das mais diversas formas – racial, sexual, religiosa… – estão sendo derrubados. Minorias sociais estão ganhando voz – principalmente na Internet – e as pessoas estão se valorizando mais.

Não chegamos lá – de fato ainda estamos muito longe disso –, porém é inegável que estamos em um ponto de mutação, the point of no return.

Os dizeres 100% negro encontrados em camisetas representam o orgulho de um povo que, mesmo após séculos sendo tratado como sub-humanos, vence como iguais que são.

Não me agradam as cotas para negros, é quase como se dissessem que os negros não têm a mesma capacidade que os brancos – o que é obviamente mentira. No entanto os séculos de injustiça contra os negros geraram uma disparidade social quase instransponível e, gostando ou não, as cotas são o que temos de melhor por ora para combater isso.

Enquanto não surgir uma alternativa melhor às cotas, devemos aplicá-las.

Os homossexuais lutam por respeito. Ninguém está pedindo para transformar seu filho em homossexual, estão pedindo que seu filho, caso se descubra heterossexual, respeite a escolha dos homossexuais e não os discrimine.

Demitir ou deixar de contratar uma pessoa profissionalmente capaz por ser homossexual não é opção ou direito, como pretende a Deputada Myriam Rios (aliás, quem foi o energúmeno que votou nela?), é discriminação explícita.

Essas manifestações contra as minorias são uma reação de grupos sociais privilegiados com medo de verem aqueles que são diferentes deles com os mesmos direitos. Quem defende privilégios quer desigualdade e discriminação.

Outro dia vi um vídeo no Facebook de um anónimo (nesse caso não se identificou porque sabe o tamanho da merda que disse) que usava desinformação e distorções para tentar colocar uma minoria social contra outra. E teve gente aparentemente inteligente concordando!

Olha gente, conselho: não é pra engolir qualquer porcaria só porque pinta um mundo que vocês, homens brancos e heterossexuais, gostariam que existisse. É preciso digerir antes de aceitar ou rejeitar.

Só para concluir o raciocínio, feminismo não é machismo ao contrário, é a luta pela igualdade dos sexos. Tem muito machista burro por aí que acha que o mundo é preto e branco, ou o homem é superior, ou a mulher. São tão deficientes intelectualmente que nem conseguem imaginar que possa haver igualdade.

O pior é que tem uma meia dúzia de pseudo-feministas que pensam igual. Obviamente são minoria no movimento. Infelizmente mulheres machistas não são minoria.

Sou aparentemente branco (tenho uma forte descendência indígena, mas é difícil detectar), homem e heterossexual. Todos fatores que me levariam a desejar privilégios vigentes para mim mesmo e defendê-los.

Mas há algo mais forte em mim que se chama retidão moral. Por isso eu simplesmente não consigo concordar com desigualdades e discriminação.

Dou graças por ter sofrido segregação, assim ainda é fácil para mim me colocar no lugar de outras pessoas.

Fui um branco (mestiço de fato, mas as aparências infelizmente imperam) em meio a mestiços e fui destratado toda minha infância como se eu tivesse culpa pelo comportamento repreensível dos brancos racistas privilegiados.

Sofria discriminação dos brancos sempre que alguém descobria que eu não vinha de uma família decente¹ – o que nunca fiz questão de esconder.

Então sei bem o que é ser segregado e poderia simplesmente me aproveitar de minha aparência para inverter a situação e ser um privilegiado, porém continuo lutando contra o racismo, a homofobia (você é homófobo se é contra direitos civis iguais para homossexuais, saiba disso), machismo e toda forma de preconceito e segregação.

E você, branco, homem, heterossexual, também pode fazer o que é certo, não é obrigado a defender as desigualdades sociais só porque seus amiguinhos de merda dizem que você é do clubinho deles.

[]’s
Cacilhας, La Batalema


¹Família decente: 100% branca e de tradição.

2011-05-31

Do colonialismo ao extrativismo digital

Baal Texto extraído do blog Trezentos:

Software livre não nasce em árvores: Do colonialismo ao extrativismo digital


Sei que muita gente que conheço e admiro vai ficar irritada com este artigo, mas acredito que já atingimos um nível de maturidade suficiente na comunidade de Software Livre brasileira para que possamos encarar de frente nossos próprios fantasmas. Sei também que o artigo é longo, mas acho que vale a pena a leitura. Cedo ou tarde vamos precisar fazer a reflexão aqui proposta.

Optei por escrever este artigo junto com um grupo de amigos experientes dentro da comunidade para evitar que ele seja classificado como sendo a opinião de uma única pessoa. Todos os amigos convidados já estão há bastante tempo na comunidade de software livre e todos eles já sentiram na pele os efeitos dos problemas aqui relatados. Optei por não listar seus nomes neste artigo, para que eles mesmo possam fazê-lo nos comentários.

Depois de tantos anos militando e trabalhando com Software Livre, fico impressionado em ver como as pessoas comumente usam o termo «a comunidade» como se ela fosse uma empresa ou coisa parecida. Muitas vezes vejo as pessoas falando da comunidade como se não fossem parte dela, como se não tivessem nenhuma obrigação em relação à manutenção dos projetos desenvolvidos de forma comunitária. Muita gente entende que ser usuário de redes sociais organizadas em torno de projetos de software livre seja o mesmo que ser membro de fato da comunidade do projeto em questão, além de acreditar piamente que todos naquela comunidade estão mesmo interessados em trollagens e críticas despropositadas.

Fazendo uma breve revisão do que aconteceu nos últimos anos na área de tecnologia no Brasil, vemos que nossa indústria de informática foi praticamente destruída no início dos anos 90, e passamos quase duas décadas sendo meros consumidores de tecnologia da informação, do hardware ao software. É a isso que chamo de colonialismo digital, pois tal como na época do Brasil colônia, acabamos consumindo tudo aquilo que os colonizadores nos empurravam. Vale lembrar aqui, que durante o início do século XIX, o Brasil chegou a «importar» um navio de patins para patinação no gelo da Inglaterra, uma vez que estes produtos estavam entupindo os estoques ingleses e precisavam ser desovados em algum lugar. Os historiadores contam que nesta época, as lâminas dos patins acabaram sendo utilizadas como facas e facões e assim fomos levando a vida: dando o jeitinho brasileiro para cumprir com nosso papel de colônia.

Durante quase vinte anos, fizemos a mesma coisa com produtos de tecnologia da informação e me lembro de ter presenciado algumas aberrações nesta época. De computadores que não suportavam o calor tropical brasileiro a softwares que invertiam completamente nossa lógica organizacional, vivemos décadas «dando um jeitinho» para as coisas funcionarem e não foram raros os casos em que tivemos que nos re-organizar para que pudéssemos utilizar as tecnologias «ofertadas». Quem aí nunca encontrou um banco de dados armazenado dentro de uma planilha com milhares de linhas ou não viu uma reengenharia quase irracional acontecer na marra por conta do ERP da moda que atire a primeira pedra.

Tamanha foi nossa aceitação do papel de colonizados, que no final da década de 90 não era raro encontrar universidades que ao invés de lecionar «Sistemas Operacionais», lecionavam «Windows NT», ou trocavam «Banco de Dados Relacionais» por «Oracle» ou «DB2» e por aí seguia a carruagem. Fui aluno em uma dessas (que aliás é uma universidade de renome e destaque em São Paulo). Me lembro que fui voto vencido quando fui debater este assunto com a coordenação do curso, pois para eles importava ensinar «o que o mercado cobrava». Pior do que ser voto vencido entre os coordenadores e mestres do curso, foi ter sido voto vencido entre meus colegas de turma, pois a imensa maioria deles estava tão acostumada com o fato de ter tudo mastigado nas mãos, que não se importava em não dominar de fato a tecnologia ou entender o que acontecia debaixo do capô. Estavam mais preocupados em «colocar no curriculum» o que aprenderam na faculdade. Amém!

Foi assim que formamos no Brasil centenas de milhares de profissionais de TI que não passavam de usuários avançados de ferramentas de software desenvolvidas fora do Brasil. Hoje, uma parte considerável destes profissionais são gestores de TI em diversas empresas públicas e privadas, e isso explica o principal motivo da resistência que encontramos no nosso dia a dia ao Software Livre dentro das organizações: a zona de conforto é grande e a inércia gerada por ela é muito difícil de ser quebrada.

É evidente que este modelo interessa às grandes empresas multinacionais de software, e confesso que hoje chego a achar graça das explicações dadas a eles sobre «o modelo». Sempre que questionadas publicamente sobre este tema, vemos as empresas se defendendo com o argumento de que geram milhares de empregos diretos e indiretos no Brasil, e que fazem «transferência de tecnologia» à indústria local, principalmente através de seus parceiros e de projetos junto à universidades.

O que vemos na prática é que a imensa maioria dos empregos diretos criados por estas empresas estão focados na área comercial e nas metas de curto prazo, e que os empregos «técnicos» costumam se concentrar em seus parceiros e solution providers, que evidentemente não têm acesso às informações detalhadas, e muito menos ao código fonte, dos produtos que «suportam» no mercado. A segurança e confiança por obscuridade é o que impera nesta seara.

Quando olhamos o trabalho feito por elas junto às universidades, vemos novamente que o foco é sim formar cada vez mais usuários avançados de seus produtos, e conseguir com isso firmar a dependência tecnológica desde na base da cadeia alimentar na indústria de TI. É muito fácil comprovar isso quando vemos «versões educacionais» dos softwares comercializados por estas empresas serem distribuídos com água dentro das universidades. Encerrou o curso e tem um software completo desenvolvido: ótimo… vamos lhe enviar a fatura em 3, 2, 1…

É importante lembrar que este modus operandi não é exclusividade de uma única empresa, mas é de fato a prática de mercado de todas as multinacionais de TI (das mais fechadas e perseguidas por todos até a «mais aberta» e idolatrada pela maioria).

Foi num cenário de total colonização tecnológica como o ilustrado acima que o Software Livre cresceu no Brasil, principalmente durante os últimos 10 anos. Eu atribuo este crescimento à vontade gigantesca de conhecer tecnologia de verdade que alguns profissionais de TI no Brasil tinham, mas conforme o movimento foi crescendo, tenho a impressão de que estes profissionais cada vez mais são raros de se encontrar e o que vemos de fato hoje, é a busca pela substituição pura e simples de um software proprietário por um equivalente livre (e não quero entrar aqui na discussão filosófica por trás disso).

Considero que seja fundamental termos no Brasil uma comunidade tão militante e ativa na publicidade e no suporte às soluções de Software Livre, mas infelizmente isso não é suficiente, pois deixamos de ser colonizados digitais e somos hoje extrativistas digitais.

Não exagero em dizer que hoje o Brasil tem em números absolutos a maior comunidade de usuários de Software Livre do mundo, e olha que a TI ainda não chegou a tantos lares assim no Brasil, portanto temos ainda muito a crescer. O que me deixa muito chateado é constatar que ao mesmo tempo, temos uma comunidade de desenvolvedores de Software Livre quase inexistente (eu mesmo conto nos dedos das mãos os desenvolvedores de «código fonte» em projetos de Software Livre que conheço). A dita «comunidade» é a primeira a se manifestar e apontar defeitos nos muitos projetos que «participam», mas na hora de enviar contribuições realmente significativas quase ninguém aparece.

É por isso que afirmo que vivemos hoje o extrativismo digital: encontramos uma fonte aparentemente inesgotável de recursos e estamos usando e abusando dela, sem nos preocupar com a sua manutenção. Isso pode até nos dar uma sensação de liberdade e controle do próprio nariz bem confortável, mas não nos levará a lugar algum e pior do que isso, quando a fonte se esgotar (e sim, ela pode se esgotar um dia), voltaremos à nossa vidinha de colonizados, e seremos novamente saudosistas de uma «era de ouro», tal como nossos amigos mais velhos hoje se lembram da reserva de mercado.

O que quero com este artigo é forçar uma reflexão dentro da nossa comunidade, pois é evidente que Software Livre não nasce em árvores, e existem pessoas trabalhando muito escrevendo código fonte por trás dos softwares livres que utilizamos no dia a dia.

Devo reconhecer porém, que somos muito ágeis e experientes em traduzir estes softwares para nosso idioma, mas todos devem concordar comigo que isso é o mínimo do mínimo que podemos fazer. Lembre-se de que teremos alcançado o sucesso pleno quando a tradução for problema dos outros!

Não consigo me contentar com isso e por isso peço a todos que façam uma séria reflexão: Quando foi a última vez que você contribuiu de verdade com um projeto de Software Livre?

Rodando o mundo palestrando em eventos de Software Livre, esta é a diferença primordial que vejo entre outros países e o Brasil. Na maioria dos países, a meritocracia funciona de verdade e o reconhecimento vem na base de muito, mas muito código fonte contribuído para os projetos. Como já contei a diversos amigos, em muitos países fora do Brasil, para que você possa «tomar uma cerveja» com os líderes dos projetos de Software Livre, você provavelmente já trabalhou bastante construindo e depurando código com eles.

Acho que é parte da cultura latina ser expansivo, mas não podemos deixar que nossa ânsia por fazer amigos acabe os deixando desviar tanto assim do nosso objetivo comum: Desenvolver de fato softwares livres que supram as necessidades de nosso mercado, que nos permitam dominar a tecnologia e que paguem nossas contas no final do mês.

Quando analisamos a cadeia de valor na indústria de Software Livre no Brasil hoje, vemos que diversos nós da cadeia são remunerados, mas que ainda não encontramos uma forma concreta de remunerar de verdade o principal nó: O desenvolvedor.

É muito fácil cair no discurso de que «quem implementa, treina e suporta também desenvolve», mas na prática vemos o oposto disso.

O que me consola é que este problema não é exclusividade nossa, e nos últimos meses tenho visto diversos projetos de Software Livre desenvolvidos internacionalmente passar por sérias dificuldades por conta do mesmo problema.

Voltando ao Brasil, conheço ao menos um software livre desenvolvido aqui no Brasil e que é utilizado no país todo, além de ser suportado por centenas de empresas, mas que tem como desenvolvedores ativos apenas duas pessoas, sendo que uma delas (e talvez o desenvolvedor chave), não seja de forma alguma remunerado. Não vou dizer o nome do software aqui para não ser deselegante com as pessoas envolvidas em seu ecossistema, mas garanto que pela descrição acima você já deve ter identificado alguns softwares como potenciais candidatos.

Em uma recente discussão que tive com um dos pioneiros do Open Source mundial, ele me dizia que o modelo de subscrição nunca foi de fato compreendido pelo mercado, e concordo com ele que este modelo é o mínimo que podemos ter para garantir a manutenção dos projetos e de seus desenvolvedores. É mesmo uma pena ver que muita gente afirmar sem vergonha alguma que «subscrição é licença disfarçada», e aqui incluo inúmeros colegas do movimento do software livre. Sinto lhes informar que não, não é, mas concordo que é muito fácil pensar assim quando seu contracheque chega no final de todo mês.

Indo mais a fundo no problema, fico extremamente chateado em ver a falta de consciência de inúmeros gestores de empresas públicas e privadas que economizam centenas de milhões de reais por ano em licenças de software, mas que não investem sequer um centavo no desenvolvimento e manutenção de projetos de software livre que utilizam no seu dia a dia.

Um exemplo gritante do que afirmo acima é o Libre Office (antigo OpenOffice ou BrOffice no Brasil), que possui atualmente centenas de milhares de cópias sendo utilizadas no país todo, economizando rios de dinheiro, e que têm no Brasil uma comunidade de «desenvolvedores de verdade» quase irrisória. O que me deixa muito mais chateado com isso, é que estes poucos heróis nacionais quase sempre levam uma vida de privações em prol da coletividade e tudo o que recebem de volta são tapinhas nas costas e nos últimos tempos ainda tem que aceitar calados, críticas injustas vindas de todas as partes. Não vou nem comentar aqui sobre a vida que levam os que decidem trabalhar com o desenvolvimento de padrões, mas posso afirmar que invejamos a vida dos desenvolvedores de Software Livre no Brasil.

Não quero que este seja um artigo de lamentações, e por isso eu gostaria de deixar algumas sugestões para que possamos de fato aproveitar esta oportunidade que temos nas mãos e mudar de uma vez por toda a história da TI no nosso Brasil. Muitas das sugestões vão parecer óbvias e genéricas, mas acredite, nunca foram de fato implementadas:
  • Empresas que utilizam softwares livres deveriam ter desenvolvedores trabalhando no desenvolvimento destas soluções ou se não puderem ter estes desenvolvedores, que exijam que as empresas que lhes prestam serviços de suporte e treinamento em Software Livre tenham desenvolvedores ativos nos projetos, e que comprovem suas contribuições periodicamente. Esta prestação de contas aliás deveria ser pública.
  • Universidades poderiam deixar de usar exemplos genéricos e trabalhos «inventados pelos professores» nas disciplinas de desenvolvimento de software e ter como meta a cada semestre otimizar um trecho de código fonte existente ou implementar uma melhoria ou nova funcionalidade em um software livre existente. O mesmo vale para outras disciplinas como marketing e design. Uma simples mudança da atitude como esta daria aos envolvidos uma experiência prática no mundo real com projetos concretos, ao mesmo tempo que lhes permitiria alcançar os mesmos objetivos didáticos (já imaginou onde chegaríamos com isso?).
  • Já temos diversas leis, decretos e instruções normativas no Brasil recomendando ou determinando a utilização de Software Livre e de Padrões Abertos em diversas esferas governamentais, mas infelizmente os órgãos de controle e fiscalização parecem desconhecê-las. Não consigo avaliar quem é o culpado por isso, mas sei que nós como sociedade temos o dever de cobrá-los, e talvez esteja aí a grande missão de todos os membros da comunidade que não podem contribuir de forma técnica com os projetos de Software Livre.
  • Muita gente não tem conhecimento técnico para escrever código fonte e contribuir com os projetos, mas lembre-se que um Software Livre de sucesso não vive só de código fonte e por isso mesmo sempre existe algo não relacionado a código fonte que precisa ser feito. Se envolva de verdade com a comunidade de desenvolvedores dos softwares que você usa e por favor, contribua de forma concreta com seu desenvolvimento. Ajudar de verdade é atender a necessidade do outro e não a sua própria necessidade. A diferença entre o voluntariado e o voluntarismo é gigantesca, mas muito difícil de ser compreendida.


Não acredito em contos de fadas e também não acredito que um dia uma empresa estrangeira vai decidir do dia para a noite que o Brasil é a bola da vez para concentrar aqui o seu desenvolvimento de software. Temos que conquistar isso, temos que fazê-lo do nosso jeito e temos sim potencial para reconstruir de verdade nossa indústria nacional de software e Tecnologia da Informação. O que não podemos fazer é ficar aqui sentados esperando o milagre acontecer, imaginando que estamos no caminho certo. Pequenas correções de rota podem sim nos levar a algum lugar completamente diferente e melhor do que o nosso destino atual.

Caso você ou sua empresa queira contribuir com um projeto de Software Livre e não saiba como, me coloco à disposição para ajudar e orientar.

Peço que reflitam sobre o seu papel na solução do problema aqui apresentado. Temos um elefante na sala e só não ver quem não quer.

Aguardo ansiosamente os comentários e espero que possamos abrir este debate tão necessário nos dias de hoje.

Escrito por JOMAR SILVA em 26 de Maio, 2011


[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-05-26

Código Florestal

Basicamente estamos propondo que as florestas se «Mudem» das nossas propriedades!

2011-05-24

Coletânea de ideias

lâmpada Ultimamente tenho estado bastante ocupado com mudança e preocupações relacionadas, por isso não tenho escrito muito para o blog.

Como hoje estou de molho por causa de uma gripe forte, resolvi aproveitar parte do tempo na cama para escrever este artigo bem genérico sobre coisas que tenho pensado e não tenho tipo tempo ou cabeça para publicar.

Por uma língua melhor


Também fiquei revoltado com os textos extraídos do livro Por uma vida melhor, de Heloisa Ramos, principalmente a parte que ensina como português correto dizer «os livro».

É claro que há toda uma bagagem histórica por trás da supressão do plural, a mesma por trás da supressão do R do final dos verbos – como quando dizemos «andá» em vez de «andar» –, porém é preciso bom senso para lidar com isso.

No entanto comecei a ver muita gente defendo o livro, pessoas inteligentes. A princípio imaginei que se tratasse apenas de síndrome da teoria da conspiração, mas depois de ler alguns textos e pensar muito sobre o assunto, percebi que nenhuma das matérias criticando a adoção do livro contextualiza os textos destacados.

Ou, em outros termos, as críticas descontextualizam seu objeto.

Resolvi então não assumir qualquer opinião sobre o assunto antes de ler o livro didático e sugiro que todos façam o mesmo.

Não tenho a quem processar


Veio a meus ouvidos que no ISTCC-P alguns professores voltaram a ensinar os alunos a nunca usar Software Livre, sob a alegação de não terem a quem processar em caso de falha.

Esta visão só pode se originar de dois tipos de pessoa: ¹acadêmicos sem qualquer visão profissional e ²profissionais mafiosos que ganham dinheiro divulgando desinformação.

Como prefiro acreditar primeiro na boa fé das pessoas, presumo que os professores que dizem isso são acadêmicos alienados.

Por que digo isso? Vamos lá…

Você já leu alguma daquelas licenças que vêm com os programas e você é obrigado a concordar?

Pois é, a grande maioria delas – pelo menos todas as que já li – excluem a responsabilidade do fabricante/proprietário sobre qualquer dano que você venha a sofrer. Isso mesmo.

Como as pessoas acreditam que têm a quem processar por padrão, não se preocupam em incluir cláusulas de responsabilidade quando contratam soluções baseadas em software proprietário.

Já empresas que vendem soluções baseadas em software de código aberto geralmente incluem cláusulas de responsabilidade para tranquilizar seus clientes. Sei disso por experiência própria.

Mas o segundo motivo pelo qual a alegação da falta de a quem processar seja falaciosa é ainda mais divertido…

Imagine que sua vida dependa direta ou indiretamente de um software, como elevadores, aviões e equipamentos hospitalares. Ter a quem processar em caso de falha é extremamente irrelevante porque morto você não processa ninguém.

Então é preferível ter um software com baixo risco a ter a quem processar. Software de código aberto está exposto para a crítica do mundo todo, o que traz à luz falhas que não seriam detectadas por uma pequena equipe de visão viciada, para que possam ser rapidamente corrigidas; enquando que software proprietário tem seu código restrito aos interessados em que você o compre, independente de se vai funcionar bem ou não, portanto falhas não evidentes – inclusive conhecidas – serão omitidas, não corrigidas, principalmente se o dinheiro gasto com processos for menor do que o investimento necessário para corrigi-las.

Música


Pretendo escrever um artigo sobre Riverside, a banda de Mariusz Duda, autor do trabalho Lunatic Soul.

Mas ainda preciso escolher qual clip colocar no artigo. Se fosse sobre Lunatic Soul, certamente seria Summerland, minha preferida desse trabalho, mas quanto a Riverside preciso pensar bem ainda.

**


É isso aí! Deixo aqui então esta coletânea de ideias.

[]’s
Cacilhας, La Batalema