2009-09-27

Subversão

Baal Quando muitas pessoas se juntam e formam uma multidão, essa multidão não se comporta como uma pessoa grande ou o simples coletivo, mas sim como uma entidade não-humana com identidade e comportamento próprios.

É por isso que uma (ou mais) pessoa(s) pode(m) ser pisoteada(s) pela multidão da qual ela(s) própria(s) faz(em) parte.

Da mesma forma, quando a sociedade cria um sistema para regular-se, esse sistema se torna uma entidade distinta da sociedade que, com o tempo, passa a operar em função de si mesma.

Esse sistema ou status quo estabelecido passa a se proteger a todo custo, mesmo que tenha de pisotear a sociedade.

As pessoas que lucram com o sistema são meras engrenagens que o sistema usa para retroalimentar-se: o lucro dessas pessoas/engrenagens é nada mais do que a força motriz do sistema.

O nome desse comportamento do sistema é perversão. A corrupção nada mais é do que a forma que as pessoas de caráter fraco encontram para lidar com a perversão.

Um exemplo de como o sistema perverso corrompe as pessoas é a criminalização.

Quando um elemento cultural é criminalizado – como aconteceu com a maconha e a folha da coca (não cocaína) – ele se torna a porta de entrada para o crime.

Dizem as mentes fracas que a maconha é caminho para drogas mais pesadas, mas isso é mentira. A criminalização da maconha é caminho para o crime de fato, como sim as drogas mais pesadas e o roubo, já que a pessoa criminalizada se sente criminosa mesmo não tendo cometido crime de fato, daí ela não vê mal em de fato cometê-lo.

Outro exemplo de perversão é a marginalização, hábito da sociedade, incitada pelo status quo, de empurrar para suas margens pessoas estigmatizadas pelo sistema.

É necessário subverter o status quo; somente a subversão do sistema pode quebrar o ciclo vicioso de retroalimentação que usa a sociedade para esmagar a si mesma.

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Cacilhas, La Batalema