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2014-01-11

Contos do Desnecessauro – desnecessauro na padaria

DesnecesauroHoje, acordei e fui à padaria comprar pão para o desjejum.

Chegando à padaria, escolhi os pães que queria e me dirigi ao caixa. Havia um casal um pouco mais velho que eu em uma das mesas que eu mal havia percebido: o homem de cabeça raspada, fortinho estilo academia, roupas estilo Oskley, óculos escuros estilosos, e a mulher também toda sarada, tudo em cima, roupinha de academia. Mal cheguei ao caixa, o sujeito – que até então estava conversando relaxado com seu par – saltou da mesa onde estava diretamente à minha frente no caixa dizendo:

—Nós chegamos primeiro, temos que ser atendidos primeiro! – logo seguido pela companheira.

A menina do caixa perguntou:

— Notinha?

Vendo que não estava com a nota de consumo, correu para o balcão para pedir à moça do atendimento, seguido pela mulher.

Cheguei calmamente ao caixa, entreguei os pães e a menina começou a bater os preços. Nisso um senhor carregando pães também entrou na fila do caixa, atrás de mim.

A menina do caixa então me avisou:

— Este pão aqui é antigo, tem dele mais fresco na prateleira. Quer pegar outro?

Eu disse que sim e perguntei se ela me esperava, ela consentiu e voltei à prateleira em busca do mais fresco. Então o casal voltou, diretamente pro caixa empurrando a notinha.

A menina do caixa registrou o consumo e eles foram embora.

Quando voltei ao caixa, o senhor que estava na fila me deu passagem, disse que eu já estava na frente dele, agradeci e terminei minha compra.

Saindo da padaria o tal casal seguia a minha frente tranquilamente – onde estava toda aquela pressa de antes? – e entrou em um condomínio desses bem caros.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-09-24

R.I.P. Jugulator


☆ 1977-06-18
† 2012-09-22


[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-08-09

Saudades que apertam

 Lulu, meu rouxinol,

De vez em quando eu preciso voltar em sua página no Facebook pra lembrar como era ser feliz. Sem você sou só um demônio sem asas esquecido aqui.

A saudade que sinto de você é tão grande que me destroça a alma e sua voz ainda cessou em minha cabeça. Tem horas que a saudade é morna e agradável, mas há momentos em que é tão aguda que é difícil até respirar.

Eu falo com você, mas você não me responde… é um vazio terrível aqui dentro. Uma escuridão tão profunda que até os pensamentos desaparecem perdidos nas trevas. Olho pro lado e você não está lá, foi só um vislumbre repentino.

Eu daria tudo pra estar com você, tudo mesmo. Se eu acreditasse que tirando a vida eu estaria com você, eu o faria de bom grado, pois nem a vida eu valorizo mais do que estar com você. Eu só não trocaria de lugar com você porque eu não desejo a ninguém a solidão profunda que sinto, muito menos a você.

Nem sei por que estou escrevendo isso aqui… apenas me faz sentir menos mal.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-06-26

Almas gêmeas

lâmpada

Não existe esse negócio de almas gêmeas. Esqueça.

O que existe é afinidade.

É claro que há casos de uma afinidade tão grande que as duas pessoas parecem uma só, pensam como uma só, e quando uma se vai, a outra sente como se tivesse morrido por dentro. Acredite, eu sei.

Mas o conceito de almas gêmeas, metades de um mesmo ser de fato, esse tipo de coisa não existe. Se você não se completar sozinho, não se bastar, nunca encontrará alguém com quem se afinizar tão profundamente.

A paixão momentânea pode dar a ilusão de afinidade, de almas gêmeas, mas é ilusão passageira, com o tempo o castelo de cartas desmorona.

Por outro lado muita gente confunde bastar-se com ser antissocial. O ser humano é um um ser essencialmente social e político, necessita conviver com outros iguais. Afastar-se e viver sozinho em sua casa ou apartamento, sair sozinho, fazer programas sempre sozinho, não significa bastar-se, mas sim não se bastar e ter medo de que os outros percebam.

Voltando ao assunto original, a beleza da afinidade é que você não precisa passar a vida toda procurando sua outra metade da laranja – como encontrar a metade de algo que está inteiro? Cada pessoa pode se afinizar com uma legião de outras pessoas, não apenas uma única escolhida e selecionada por um deus cruel que ainda faz com que essa pessoa não queira nada com você.

Então, para encontrar alguém que lhe complemente, você precisa primeiro se reconhecer como ser integral, inteiro, não pela metade; em seguida precisa permitir-se.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-06-24

Papéis sociais

lâmpada

As pessoas supervalorizam os papéis sociais e familiares.

Esposa, marido, irmão(ã), filho(a), chefe, subalterno, primo(a), pai, mãe… todas essas relações são sobrecarregadas de uma importância que nos martiriza.

Quando nos desapegamos desses valores que nos oprimem e encaramos essas relações como o que elas realmente são – nada além de papéis que representamos temporariamente nesta existência –, isso nos liberta desses tabus, nos permite maiores flexibilidade e aproveitamento das possibilidades de vivência e aprendizado que a nós se apresentam.

Mas para podermos viver a vida mais plenamente precisamos antes de mais nada aceitar uma verdade difícil: que não é a sociedade que nos oprime com a supervalorização de papéis, somos nós mesmos! Cada um de nós impõe e mutila a si mesmo. É claro que por uma programação sócio-cultural que recebemos desde a mais tenra infância, mas no final somos carrascos de nós mesmos.

Aceitar isso nos permite abrir mão das armas de autopunição e, só assim, vivermos em plenitude.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-06-01

Para a saúde de quem?

Baal

A última coisa importante que meu rouxinol me disse antes de deixar a crisálida e voar para longe deste mundo foi: eu já sinto muito orgulho de você.

Porém não me sinto merecedor desse orgulho. Sei que cuidei dela de uma forma que pouquíssimas pessoas fariam, enfrentei médicos e minha própria família para que ela tivesse a existência mais normal possível em seus últimos dias, mas sinto a necessidade de fazer mais.

A Lu foi um tipo de Maid Marian moderna, enfrentava as autoridades e o status quo para ajudar os menos favorecidos e eu não fiz metade do que ela fez, por isso ainda não mereço seu orgulho.

Mas quando for minha vez de ir e ela vier me buscar, eu quero merecer seu orgulho. Para isso, quero dar alguma finalidade prática ao conhecimento que acumulei nesse calvário, primeiro divulgando.

A principal coisa que aprendi foi:
Não importa se sofrerão e terão a vida abreviada pela doença, doentes crônicos rendem mais lucros para a indústria farmacológica do que um paciente curado.

Qualquer tratamento barato que levasse à cura de doenças crônicas sempre foi perseguido e destruído pelos governos e organizações de saúde, para o bem do mercado.

Vamos falar disso…

Máquina de co-ressonância de Rife

Na década de 1920, o Dr. Rife fazia pesquisas com a ressonância coordenada ou co-ressonância para o tratamento de viroses e tumores. Em 1934, em uma pesquisa com dezesseis pacientes terminais de câncer, a co-ressonância foi capaz de curar todos os pacientes em três meses de tratamento.

As consequências? Seu laboratório foi incendiado, a pesquisa destruída e o próprio Dr. Rife sofreu sistemática e metódica perseguição e difamação pelo editor chefe do Journal of the American Medical Association, Morris Fishbein, para desacreditar totalmente sua pesquisa e assim proteger o mercado que explora os doentes terminais.

— Mas por que eles fariam isso? Como a indústria se beneficiaria da destruição de uma tecnologia capaz de ajudar tantas pessoas?

Vou responder esta pergunta com um exemplo.

Quando minha esposa estava se tratando (se é que dá pra usar esta palavra) no HFCF, conhecemos uma senhora que sofria do mesmo tipo de carcinoma que minha esposa há vinte anos.

É… essa doença age diferente com pessoas diferentes. Matou minha esposa em menos de um ano e tem torturado essa senhora há vinte.

O tratamento tradicional só dessa senhora rende à indústria farmacológica US$80 mil ao ano.

Tudo para mantê-la doente, sofrendo dos efeitos colaterais tanto da doença quanto do tratamento, piorando a cada ano e fatalmente morrerá inválida na cama de um hospital.

Agora imagina se essa senhora tivesse sido curada com uma terapia simples e barata no primeiro ano… multiplique os US$80 mil pelos anos de tratamento poupados para ver o quanto a indústria teria deixado de lucrar, isso para apenas um paciente!

Avelós

O Hospital Israelita Albert Einstein em SP pesquisou o tratamento do câncer com DM-10, medicamento extraído da avelós.

Quando pacientes terminais e crônicos começaram a ser curados, a Anvisa mandou suspender as pesquisas e proibiu o uso terapêutico da avelós. A justificativa foi que a overdose pode ser tóxica.

Primeiro, de qual substância a overdose não é tóxica?

Segundo, fiquei sabendo de uma garota que bebeu uma garrafa de preparado de avelós inteira por engano – por definição uma overdose – e a consequência foi uma azia.

Alguns médicos negam a eficiência da avelós, mas não conseguem explicar os casos de cura. Simplesmente o ignoram, pois foram adestrados a negar tudo o que coloque em cheque suas verdades.

Eu pude presenciar pessoalmente os efeitos da avelós e conheci doentes terminais curados pela avelós. A avelós tem efeito analgésico, cicatrizante e antitumoral.

THC

Um dos principais motivos da proibição da maconha não tem a ver com as consequências sociais, mas com as consequências mercadológicas.

O THC, princípio ativo da canábis, substitui pelo menos quatro medicamentos usados para aliviar os efeitos do câncer, com mais eficiência pelo menos do que três deles.

Mas o uso terapêutico do THC é proibido, pois seus efeitos colaterais – lentidão de raciocínio temporária e aumento do apetite – são considerados inaceitáveis.

As quatro substâncias substituíveis pelo THC tem os seguintes efeitos colaterais aceitáveis:

  1. Metoclopramida: é hemorrágica e causa comprometimento e perda gradativos do controle motor;
  2. Bromoprida: inibe a absorção de nutrientes pelo intestino;
  3. Tramadol: causa distúrbios psicóticos;
  4. Morfina: mata.

Basta pesar o que é mais inaceitável.

Outra desculpa comumente usada é que o THC causa câncer ao tentar combatê-lo. Não é o que as pesquisas dizem.

**

Ainda vou falar muito, mas muito mesmo sobre este assunto.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-05-29

Testemunho


Preciso escrever um testemunho para ver se os médicos se tocam que não são deuses.


Minha esposa se desprendeu da matéria, perdeu sua vida biológica, em boa parte por causa da arrogância dos médicos.

Quando chegou o resultado do risco patológico do INCA, os médicos disseram que ela poderia vir a falecer, mas que eles fariam de tudo para salvar sua vida.

Não foi o que aconteceu.

Meses mais tarde o oncologista assumiu que estava só dando tempo até o óbito, que não faria qualquer tratamento por ela, apenas o paliativo, mas não queria nos perturbar.

Foi então que procurei outro hospital. O novo cirurgião geral me disse que, baseado no risco patológico, não havia nada que a medicina tradicional pudesse fazer por ela, que o óbito era certo. Já o novo oncologista me disse para procurar tratamentos alternativos, pois se a medicina tradicional não poderia fazer nada, havia casos de cura por meio de terapias alternativas.

Procurei e qual não foi minha surpresa quando descobri que realmente existiam. Conheci pessoas que passaram pelo que minha esposa passou, foram tidas como terminais, não respondiam a tratamentos convencionais, mas foram curadas por tratamentos alternativos.

Começamos os tratamentos alternativos, mas infelizmente já era muito tarde, porque perdemos meses confiando em médicos que fingiram estar ajudando. Se os tratamentos alternativos tivessem sido introduzidos mais cedo, haveria uma grande chance de minha esposa ter se curado.

Porém, os médicos se acham os donos da verdade e simplesmente fingem que não existem casos de cura de pessoas desiludidas pela medicina tradicional.

Por quê? Primeiro porque assumem que seu conhecimento é absoluto e onisciente, são deuses que determinam quem vive e quem morre, se eles não têm a resposta, ninguém pode ter. Segundo porque o mercado farmacológico sobrevive de explorar doentes crônicos, incuráveis. A cura – principalmente se a terapia for barata – é prejudicial à saúde dos negócios.

Essa é a verdade.

Então aqui quero apelar para a consciência dos médicos, que se toquem que não sabem tudo. Se tivessem me dito lá trás em dezembro o que o cirurgião me disse em abril, eu já teria procurado as terapias alternativas mais cedo e talvez tivesse preservado a vida biológica de minha esposa.

Sei que as coisas acontecem como precisam acontecer, então talvez eu tenha perdido minha esposa para ser uma dor na consciência dos médicos – pelo menos dos raros médicos que têm consciência.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-05-28

Provérbio aborigene

Somos todos visitantes deste tempo, deste lugar. Estamos só de passagem. O nosso objetivo é observar, crescer, amar… E depois vamos para casa.

2012-05-23

Coração aberto

Coração partido

Já tive meu grande amor, minha grande paixão. Não espero outro grande amor, nem mesmo uma paixão avassaladora. Não mais, nem quero.

Sempre amarei meu rouxinol de uma forma que não poderei amar ninguém mais.

Porém, sou um ser gregário, não consigo viver sozinho e ainda sou capaz de amar e me apaixonar. Sinto a necessidade de compartilhar minha vida com outra pessoa. Não tenho vocação pra Charlie e também já chega de ficar me lamentando pelos cantos.

Uma amiga me disse que eu preciso tirar um tempo pra mim, sozinho, no entanto isso não faz parte do que sou. Não é que eu não me baste, não me entenda mal, eu apenas não gosto de ficar só.

Então pretendo abrir meu coração e sair com senhoritas, sem muitas pretensões, até encontrar alguém que pretenda manter um relacionamento sério, porém suave.

Só não sei se vou encontrar alguém que me aceite assim, sabendo que já vivi meu grande amor. :-(

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-05-13

Mesmo quando acertam, os médicos estão errados

lâmpada

Mesmo quando acertam, os médicos estão errados.

Primeiro o oncologista ficou assustado porque minha esposa sobreviveu até depois do carnaval, depois os médicos disseram que ela teria apenas semanas de vida.

Quando, na sexta-feira santa, ela foi internada, os médicos disseram que ela não duraria nem semanas, apenas poucos dias.

A cada certeza dos médicos, meu rouxinol superava as expectativas… e mais! Em vez de uma doente agonizante, como algumas pessoas insistiam em vê-la, ela gozou de qualidade de vida.

Quando da última vez um médico acertou, disse que ela teria poucos dias e realmente ela se desligou em três dias, ainda assim ele estava errado.

O médico disse que nós teríamos de interná-la em um hospital para ela passar seus últimos dias como uma doente terminal longe daqueles a quem ama. Ao contrário de sua proposta indecente, meu rouxinol passou três dias com seu filho amado – ao qual ela chamava meu gatinho –, seus bichinhos e comigo, em família, escolhendo o que queria fazer com seu tempo, assistindo TV, tomando banho de sol e orando com os amigos.

Os arautos da má notícia cantaram glória aos médicos, que, segundo eles, mostraram-se sempre certos, esquecendo-se de todas as vezes que os médicos erraram e do quão errado eles estavam em relação ao que minha esposa deveria fazer com seus últimos dias.

Àqueles que concordam com os médicos eu encerro com uma pergunta: se você soubesse que o mundo vai acabar em poucos dias, como gostaria de passar esses últimos dias? Em casa com a família e amor ou em um hospital?

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-05-12

Meu rouxinol



Durante nove meses lutamos contra uma doença ingrata. Vi meu rouxinol se tornar uma crisálida…

Doeu muito, mas estive a seu lado o tempo todo nos últimos seis meses, fiz de tudo para dar-lhe qualidade de vida. Mantive-a a meu lado, em casa, com a família, seus gatinhos, assistindo TV, tomando banhos de sol e orando com os amigos.

Não a coloquei em um depósito humano hospital para morrer. Sua expectativa de vida foi superada em meses, sua qualidade de vida foi muito além do que os médicos supunham.

No final, o corpo muito frágil não resistiu mais à doença e a crisálida se rompeu, permitindo que o espírito se libertasse como uma borboleta.

Porém, em todo esse processo, aprendi muito… aprendi muito sobre
o quanto os médicos não sabem o que dizem;
o quanto essa doença é cruel;
o quão longe vai minha força;
o quanto minha abelhinha é guerreira;
o quanto a medicina é desumana.

Aprendi muita coisa sobre medicamentos tradicionais; medicamentos proibidos (e por que são proibidos); técnicas de enfermagem; tecnologias medicinais.

Mais importante: aprendi sobre o ser humano, sua prepotência, fraquezas e riqueza de espírito.

Agora preciso de tempo para vencer a dor, digerir tudo isso e transformar em algo útil, que ajude as pessoas.

Isso vai dar muito trabalho…

Restam-me as últimas palavras de meu rouxinol: Eu já sinto muito orgulho de você.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-03-11

O correto nem sempre é o legal

lâmpada Se proteger a vida for contra a lei, sou um criminoso com muito orgulho.

Não estou fazendo apologia do crime, mas quando as leis não são questionadas, elas defendem os interesses daqueles que as fizeram – políticos ou empresas que os bancam –, não do povo que lhes sofre as consequências.

Talvez eu me explique melhor daqui a alguns meses, por ora deixarei no ar.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2012-01-17

E então?

Cuidar de dois blogs não é nada fácil – e já foi pior! Eram quatro: Reflexões de Monte Gasppa e Giulia C., Kodumaro, Ĥondaj’ (esse eu pretendo voltar a mexer) e LuaWsgi ChangeLog (esse já virou outro bicho).

Só que agora voltou a ficar difícil, só com dois, pois minha vida virou de ponta cabeça com a descoberta de um tumor na pelve de minha esposa. Não tenho tempo nem cabeça para escrever.

No Kodumaro ainda é relativamente fácil, basta pegar um assunto bem técnico ou acadêmico e consigo escrever sem pensar, como fiz em Variância e em Dissecando a variância.

Mas isso simplesmente não funciona aqui nas Reflexões de Monte Gasppa e Giulia C..

Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, e eu simplesmente não tenho cabeça para dedicar-me a escrever sobre nada disso.

Bem, pelo menos eu continuo aqui.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-12-24

Mensagem de Natal

Natal Sabe aquela sensação de volatilidade, de mortalidade e mutabilidade? Da areia escorrendo por entre os dedos e você não consegue segurá-la?

É preciso amar as pessoas antes de descobrirmos que amávamos o que foi perdido.

Se perdermos, teremos o consolo de termos amado intensamente. Se não perdermos, só ganhamos! Ganhamos mais tempo para amar!

Amor é aquele sentimento gostoso de importar-se com o outro, de querer bem. Não é exclusividade das relações eróticas ou ainda das filiais/maternais. É um sentimento universal que une as pessoas que se preocupam umas com as outras (começa direcionado, tornasse múltiplo e, quem sabe um dia, intransitivo).

O mundo seria um lugar muito melhor se amássemos mais promiscuamente.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-11-20

Aniversário (ou momento de paz)

lâmpada Em mais de dez anos este foi o único aniversário meu que não comemorei com um churrasco com os amigos – desculpe aí, galera!

Passei mais da metade de meu dia em um hospital com minha esposa, que sofre de dores terríveis do pós-operatório.

Depois viemos para casa, ela dopada de analgésicos, e aproveitamos esse momento de alívio. Sei que amanhã o efeito terá passado, mas nos esquecemos disso por um instante e os problemas financeiros pareceram irrelevantes, deitamos na cama e assistimos abraçados a um programa de TV sobre nós mesmos durante esse instante infinito – e meu filho se sentou ao pé da cama, calmo como raramente um adolescente consegue ficar.

Depois dormimos o sono dos justos. Pode não ter sido o melhor dos aniversários, mas foi o melhor dos últimos dias e que os problemas de amanhã fiquem para amanhã.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-10-17

Crônicas do malandro mané carioca, ou «volta pro colégio!»

Baal
Tem uma coisa que descobri: por volta de nove em cada dez malandros é mané.


Hoje na fila do caixa do banco demorei mais do que precisava porque:

  1. Havia duas pessoas com carência emocinal que, após terem terminado suas transações, continuaram alugando os caixas com problemas pessoais.
  2. Um mané segurou justamente o caixa com quem eu precisava falar, tentando diversas formas de engabelamento.


O mané tinha umas cinco ou seis contas a pagar.

Deu a primeira conta e perguntou quando era. A menina do caixa respondeu um valor uns centavos maior do que R$6,00. O cara deu um bolo de dinheiro dizendo que estava certo.

A menina contou e disse que faltava um tanto – acho que da primeira vez faltavam R$0,25 – e o mané, fazendo cara de parede, completou.

Depois de efetuado o pagamento, a menina do caixa perguntou se tinha mais alguma coisa, e o cara respondeu que sim, passando a segunda conta.

O mesmo procedimento foi efetuado: ela disse que era x, ele entregou um bolo de dinheiro, a menina disse que faltavam R$1,00 e tanto, ele completou.

Ela perguntou se havia mais alguma e quantas contas faltavam, e ele entregou a terceira conta.

O mesmo procedimento se repetiu então para cada uma das contas, sempre sem informar quantas faltavam e sempre dando um bolo de dinheiro que não completava o valor da conta.

P☆#☠ que pariu!

Ou o cara se acha muito malandro – que mané! – ou não sabe calcular, pagar contas, nem usar dinheiro!

Acho que deveria ser feita a exigência do cliente saber pelo menos as quatro operações matemáticas básicas e também que se o caixa deveria ter a restrição de perguntar «Mais alguma coisa?» somente uma vez… não informou tudo, que se f☃!@, volta pro fim da fila!

Tem dois ditados que adoro:
  1. Malandro é malandro, mané é mané.
  2. O malandro de verdade conhece as vantagens da honestidade: é honesto só por malandragem.


[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-08-27

Dennett e o amor

Quebrando o encanto Tenho estado sem ideias sobre o que escrever.

Ultimamente vejo muita gente defendendo e – pasmem! – criticando o feminismo. Parece o assunto da moda.

No entanto meu assunto preferido é religiosidade e ateísmo.

Não sou ateu, mas sou um livre pensador. Vejo que muitos ateus – não todos, claro – têm caído nos mesmos encantos dos fanáticos religiosos sem se darem conta.

Esses encantos se resumem basicamente à alienação causada pela reiteração proporcionada pela imersão cultural, uma imersão que é social e seletiva.

Ou seja, o indivíduo se cerca de outros invíduos que compartilham das mesmas ideias e as repetem uns para os outros até não haver mais margem para aceitação de críticas e contrapontos.

As crenças – ou fatos como os pseudocéticos gostam de chamar – são sempre a priori, nunca sendo revisadas – apenas falsas reconstatações forjadas.

O religioso confessa crenças nas quais não crê apenas porque é o que se espera de um religioso. Da mesma forma, humanistas, secularistas e livres pensadores se confessam ateus apenas porque é o que se espera deles, não por o serem de fato.

E repetem para si mesmos que acreditam, porque o grupo do qual fazem parte espera isso deles, senão não serão considerados brights.

Mas não é disso que quero falar hoje… quero falar do lado bom disso tudo.

Quero citar um trecho maravilho do livro Quebrando o Encando de Daniel C. Dennett:

O fato de tanta gente amar suas religiões, tanto quanto ou mais do que qualquer coisa na vida, é realmente um fato a ser ponderado. Eu estou inclinado a achar que nada poderia ter mais importância do que aquilo que as pessoas amam.

De qualquer modo, não consigo pensar em nenhum outro valor que eu pudesse pôr acima disso. Eu não gostaria de viver em um mundo sem amor.

Será que um mundo em paz, mas sem amor, significaria um mundo melhor? Não, se a paz fosse alcançada retirando-se o amor (e o ódio) do nós pelas drogas ou pela repressão.

Será que um mundo com justiça e liberdade, mas sem amor, seria um mundo melhor? Não, se isso nos transformasse, por algum modo, em cumpridores da lei sem amor, sem nenhum dos anseios ou das invejas e ódios que são a mola propulsora da injustiça e da submissão.

É difícil considerar essas hipóteses, e duvido que possamos confiar em nossas primeiras intuições a respeito delas.

Mas, pelo que se apresenta, eu suponho que quase todos nós queremos um mundo no qual o amor, a justiça, a liberdade e a paz estejam presentes, tanto quanto possível. Se tivermos de abrir mão de um deles, contudo, não seria – e não deveria ser – do amor.

Mas, é triste dizer, mesmo que seja verdade, que nada pode importar mais que o amor. Não se pode deduzir daí que não temos motivos para questionar as coisas que nós e outros amamos.

O amor é cego, como se diz, e como o amor é cego, muitas vezes leva à tragédia: há conflitos nos quais um amor é jogado contra outro amor, e alguém tem de ceder, com sofrimento garantido em qualquer resolução.


Todo o texto acima se encontra em um único parágrafo, no capítulo 9, seção I.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-07-26

Nerd

FACEPALM – Because expressing how dumb that was in words just doesn’t work.
Antigamente, quando eu era chamado nerd, nerd era esquisito; hoje nerd é cool.

Antigamente nerd era aquele cara meio estranho, socialmente deslocado; hoje nerd é descolado.

Antigamente nerd era como Ellie, personagem do livro Contato de Carl Sagan, que na mais tenra idade consertou um rádio valvulado, sem nunca ter visto um antes; hoje nerd compra tudo pronto: ficou velho, compra outro.

Antigamente nerd se virava com poucos recursos e fazia mágica com equipamentos que outros considerariam obsoletos; hoje nerd coleciona gadgets legais, sempre os da moda e mais modernos, não se entende com coisas antigas.

Antigamente nerd entendia de matemática, história, física ou qualquer assunto que desperte bocejos; hoje nerd repete frases de efeito e questiona teses que não entende para parecer inteligente.

Antigamente nerd se identificava com as minorias; hoje nerd diz sandices no Twitter, na tentativa de movimentar massas.

Em suma, antigamente havia os nerds e os alfa-beta e hoje continua havendo nerds e alfa-beta. A diferença é que hoje os nerds continuam em seus cantinhos isolados, mas os alfa-beta ficam por aí se autodenominando nerds, porque está na moda.

[]’s
Cacilhας, La Batalema

2011-07-04

Privilégios sociais

Baal Tenho visto muitas manifestações em defesa do orgulho hétero (ou hetero, sem acento, em referência à palavra de origem «heterossexual»), de gente 100% branca e dos direitos de homem (em oposição a mulher).

As alegações são de que estaria havendo uma inversão de valores e que a tradição estaria sendo destruída.

Pois bem, em certo ponto é verdade, mas de um jeito positivo.

Os antigos valores de direito nato e segregação das mais diversas formas – racial, sexual, religiosa… – estão sendo derrubados. Minorias sociais estão ganhando voz – principalmente na Internet – e as pessoas estão se valorizando mais.

Não chegamos lá – de fato ainda estamos muito longe disso –, porém é inegável que estamos em um ponto de mutação, the point of no return.

Os dizeres 100% negro encontrados em camisetas representam o orgulho de um povo que, mesmo após séculos sendo tratado como sub-humanos, vence como iguais que são.

Não me agradam as cotas para negros, é quase como se dissessem que os negros não têm a mesma capacidade que os brancos – o que é obviamente mentira. No entanto os séculos de injustiça contra os negros geraram uma disparidade social quase instransponível e, gostando ou não, as cotas são o que temos de melhor por ora para combater isso.

Enquanto não surgir uma alternativa melhor às cotas, devemos aplicá-las.

Os homossexuais lutam por respeito. Ninguém está pedindo para transformar seu filho em homossexual, estão pedindo que seu filho, caso se descubra heterossexual, respeite a escolha dos homossexuais e não os discrimine.

Demitir ou deixar de contratar uma pessoa profissionalmente capaz por ser homossexual não é opção ou direito, como pretende a Deputada Myriam Rios (aliás, quem foi o energúmeno que votou nela?), é discriminação explícita.

Essas manifestações contra as minorias são uma reação de grupos sociais privilegiados com medo de verem aqueles que são diferentes deles com os mesmos direitos. Quem defende privilégios quer desigualdade e discriminação.

Outro dia vi um vídeo no Facebook de um anónimo (nesse caso não se identificou porque sabe o tamanho da merda que disse) que usava desinformação e distorções para tentar colocar uma minoria social contra outra. E teve gente aparentemente inteligente concordando!

Olha gente, conselho: não é pra engolir qualquer porcaria só porque pinta um mundo que vocês, homens brancos e heterossexuais, gostariam que existisse. É preciso digerir antes de aceitar ou rejeitar.

Só para concluir o raciocínio, feminismo não é machismo ao contrário, é a luta pela igualdade dos sexos. Tem muito machista burro por aí que acha que o mundo é preto e branco, ou o homem é superior, ou a mulher. São tão deficientes intelectualmente que nem conseguem imaginar que possa haver igualdade.

O pior é que tem uma meia dúzia de pseudo-feministas que pensam igual. Obviamente são minoria no movimento. Infelizmente mulheres machistas não são minoria.

Sou aparentemente branco (tenho uma forte descendência indígena, mas é difícil detectar), homem e heterossexual. Todos fatores que me levariam a desejar privilégios vigentes para mim mesmo e defendê-los.

Mas há algo mais forte em mim que se chama retidão moral. Por isso eu simplesmente não consigo concordar com desigualdades e discriminação.

Dou graças por ter sofrido segregação, assim ainda é fácil para mim me colocar no lugar de outras pessoas.

Fui um branco (mestiço de fato, mas as aparências infelizmente imperam) em meio a mestiços e fui destratado toda minha infância como se eu tivesse culpa pelo comportamento repreensível dos brancos racistas privilegiados.

Sofria discriminação dos brancos sempre que alguém descobria que eu não vinha de uma família decente¹ – o que nunca fiz questão de esconder.

Então sei bem o que é ser segregado e poderia simplesmente me aproveitar de minha aparência para inverter a situação e ser um privilegiado, porém continuo lutando contra o racismo, a homofobia (você é homófobo se é contra direitos civis iguais para homossexuais, saiba disso), machismo e toda forma de preconceito e segregação.

E você, branco, homem, heterossexual, também pode fazer o que é certo, não é obrigado a defender as desigualdades sociais só porque seus amiguinhos de merda dizem que você é do clubinho deles.

[]’s
Cacilhας, La Batalema


¹Família decente: 100% branca e de tradição.

2011-06-04

Primeiras impressões

lâmpada Uma semana de Rio de Janeiro e já senti algumas diferenças…

Distância


Quando estava para sair de Silent Hill Petrópolis, os invejosos me disseram que eu ia me arrepender porque «Jacarepaguá é mais longe do Rio do que Petrópolis».

Acredito que, ao dizer «Rio», quiseram dizer Centro do Rio.

Bem, Petrópolis se localiza a 62,1 km do Centro – sem contar os 3,2 km que eu precisava cruzar para chegar à rodoviária, com transporte público precário.

De Jacarepaguá ao Centro são 22,1 km, pelas minhas contas quase três vezes mais perto.

Mas alguns vão alegar que a distância não importa, que os fatores importantes são conforto, trânsito e tempo… concordo!

Trânsito


De Petrópolis para o Centro, o viajante é obrigado a aturar o trânsito da Washington Luiz, da Avenida Brasil e da Perimetral, três pontos críticos. De Jacarepaguá, pego trânsito no Grajaú, na Tijuca (que é bem enjoado) e na Presidente Vargas, muito menos chato!

Não acredita? Vamos ao tempo então…

Tempo


Depois que me mudei, passei a acordar uma hora e meia mais tarde e a ter quarenta minutos a mais de tempo em casa antes de sair, para chegar no trabalho no mesmíssimo horário que chegava antes.

Saio do trabalho uma hora mais tarde e chego em casa também no mesmíssimo horário em que chegava em Petrópolis.

Portanto tenho mais tempo em casa, mais tranquilidade e mais tempo no escritório, o que significa mais qualidade de vida, ao contrário do que acreditam os bitolados petropolitanos.

Conforto


Ah! Mas o ônibus da Única Fácil é muito melhor do que viajar em um roletão lotado!

Bem… seria…

Se eu não tivesse de comprar a passagem com antecedência, pelos preços abusivos praticados pela empresa, para não ficar horas na rodoviária esperando, o que me amarra totalmente os horários e me estressa bastante.

De qualquer forma, eu não tenho andado apertado. Viajo de roletão sim, mas sentado e na janela.

Segurança


Outra merda que ouvi dos invejosos é que eu ia «trocar o canto dos pássaros por tiroteios diários».

Lembro de minha época de UFRJ que tive de enfrentar alguns tiroteios sim, mas desde que me mudei, sou acordado pelo canto de bentivis em minha janela e vendo patinhos nadando no rio. Portanto, outro medo patológico dos petropolitanos.

— Ah! Mas e os assaltos?!

Fatalidades! É ilusão achar que em Petrópolis se fica seguro, já fui assaltado duas vezes e invadiram minha casa três ou quatro vezes em Petrópolis.

Infraestrutura


A infraestrutura de Petrópolis é precária, pra ser eufêmico.

Transporte público deficiente, poucas opções de produtos à venda, preços absurdos, tudo muito distante e pouco acessível, poucas escolas (as públicas são lamentáveis) e quase nenhuma opção de trabalho – as poucas que existem pagam mal de verdade.

Também o acesso à Internet em Petrópolis é ruim e para poucos abençoados.

Aqui onde moro tenho tudo perto: escolas, farmácias, hospitais, shopping centers, padarias, supermercados, papelarias, sapatarias, chaveiros, restaurantes, acesso de qualidade à Internet, tudo que se possa precisar. E se não tiver perto, o ônibus é R$2,50 para quase qualquer outro lugar.

Algo impensável em Petrópolis. Sei que tem gente vai dizer «mas eu tenho farmárcia/padaria/outra-coisa no cormércio perto de casa aqui em Petrópolis»… acredite em mim: é bem diferente.

Povo feliz


Me falaram também que «não se deve confiar em cariocas, pois eles são malandros, só se pode confiar em petropolitanos».

Pois bem, os cariocas são um povo alegre e prestativo, sempre sorrindo e tentando ajudar, enquanto os petropolitanos são, no geral, ranzinzas e de uma má vontade colossal.

É claro que há cariocas cafajestes, assim como há petropolitanos cafajestes, mineiros, paulistas, gaúchos, nordestinos, [acrescente-aqui-seu-povo-proferido] cafajestes. Não se deve confiar em estranhos, claro, mas qualquer coisa além de precaução saudável é pura paranoia.

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Bem, esta é minha impressão inicial de morar no Rio: os prós superam os contras de longe. Sendo que já trabalho aqui há dois anos e já morei aqui (em alojamento universitário) há uns quinze anos atrás.

Ou eu invento algo para me arrepender ou os petropolitanos invejosos vão roer as unhas até os cotovelos. =)

[]’s
Cacilhας, La Batalema