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2015-11-06

Domínio de axiomas

lâmpada Quando a pessoa está imersa numa corrente de pensamento (grupo religioso, doutrina filosófica, etc.), tudo parece corroborar para a veracidade daquela corrente, porém isso é uma ilusão criada por uma peculiaridade lógica chamada domínio de axiomas.

Um domínio de axiomas é um conjunto de postulados arbitrários que corroboram uns aos outros de forma coerente, dando a impressão de veracidade, porém, basta que um dos aximas falhe para que todo o domínio desmorone.

Geramente um domínio de axiomas é composto por dezenas, até centenas de axiomas, mas o que funciona para muitos, funciona da mesma forma para um conjunto menor, portanto podemos fazer uma demonstração com um domínio de, por exemplo, oito axiomas.

Em vez de afirmações que possam ser colocadas a prova, usarei verdades arbitrárias que podem representar qualquer doutrina. Nossos oito aximas são:
  • ☆☆☆
  • ☆☆★
  • ☆★☆
  • ☆★★
  • ★☆☆
  • ★☆★
  • ★★☆
  • ★★★


A forma racional de pensar é constituída de operações lógicas. Vou usar seis operações, mais que suficientes:
  1. Conjunção lógica: ^
  2. Disjunção lógica: v
  3. Disjunção exclusiva: ≠
  4. Implicação lógica: →
  5. Equivalência lógica: ≡
  6. Negação lógica: ¬


Dessas operações, a negação lógica opera sobre um axima, as demais combinam dois aximas. Cada operação é apliada igualmente a cada parte de cada axima: a 1ª parte de um com a 1ª do outro, a 2ª de um com a 2ª do outro e a 3ª de um com a 3ª do outro.

A grande mágica do raciocínio lógico sobre um domínio de axiomas é que o resultado de qualquer operação envolvendo apenas axiomas do domínio sempre resulta em um axioma do mesmo domínio, causando a ilusão de endossar a veracidade do domínio.

Vou descrever agora como se usa as operações:

Conjunção lógica


A^BA^B
^
^
^
^

Por exemplo, ★★☆^☆★★=☆★☆.

Disjunção lógica


AvBAvB
v
v
v
v

Disjunção exclusiva


ABA≠B

Implicância lógica


ABA→B

Equivalência lógica


ABA≡B

Negação lógica


¬A¬A
¬
¬

**

O desafio é combinar essas operações sobre os axiomas do domínio e chegar a resultados fora do conjunto.

Depois de tentar ad nauseum, você verá que é impossível, pois essa é uma poderosa característica do raciocício lógico e dos axiomas.

É por isso que, ao ser imerso em um grupo de pessoas que reiteram uma corrente de pensamento, cada vez mais temos a impressão de sua veracidade – e é por isso que é tão importante a diversidade, ouvir outros pontos de vista: porque, ao se repetir apenas preceitos que se complementam uns aos outros, deixamos escapar verdades de fora do domínio.

[]’s

2015-06-07

Sobre a evolução da ciência

Certa vez os cientistas perceberam uma casualidade interessante: se você pegar as potências de dois de 20 a 27, acrescentar zero (0) ao começo da sequência, multiplicar cada elemento por 3 e somar 4 você consegue os valores aproximados das distâncias médias das órbitas dos nove corpos celestes considerados planetas durante o começo do século XIX em décimos de unidade astronômica:
PlanetaValor calculadoDistância média real
Mercúrio40,39UA
Vênus70,72UA
Terra101,00UA
Marte161,52UA
Ceres282,77UA
Júpiter525,20UA
Saturno1009,58UA
Urano19619,2UA
Netuno38830,0UA

Por essas contas, o próximo planeta deveria estar em 772 (aproximadamente 77,2UA), desqualificando Plutão (39,5UA) como planeta.

Com a descoberta de Plutão e o rebaixamento de Ceres, tentaram ajustar o cálculo usando como base a sequência de Fibonacci, com mais uma ginástica aritmética para fazer os números se ajustarem.

De qualquer forma, esse não é o ponto. Primeiro, a órbita média de Netuno está muito fora da posição (30UA, quando deveria estar mais longe) e o primeiro valor da sequência (4) não faz parte dela (matematicamente deveria ser 5.5). Em resumo, é apenas uma curiosidade matemática, nada nem próximo de uma lei universal.

Porém essa masturbação numerológica era ensinada nas escolas até depois da metade do século XX como uma lei astronômica (!!!), só caindo por terra quando sistemas planetários extrassolares foram descobertos.

Este é o ponto!

A beleza da ciência é não se ver escrava de crenças ancestrais, compromissada com o erro. Tem a capacidade de evoluir, aceitar-se falha e corrigir-se.

A religião também pode(ria) alcançar isso, se não viver(sse) amarrada à tradição, tentando escravizar as pessoas à ignorância.

[]’s